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  • Moçambique terá a quarta maior reserva de gás natural do mundo

    Moçambique terá a quarta maior reserva de gás natural do mundo

    A prosperidade económica de Moçambique tem fortes ligações com a prosperidade energética alimentada pelas descobertas de gás e exploração de carvão mineral. Ausência de mão-de-obra qualificada e uma base fiscal limitada são os maiores obstáculos a ultrapassar, recomendam especialistas.

    A estimativa é da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), publicada na página electrónica do Banco Português de Investimentos, que relata as perspectivas da economia moçambicana com o tema “Moçambique – um novo lugar no xadrez internacional”.

    Na publicação, citando observadores internacionais da área energética, a OCDE avança que “a extensão das reservas encontradas justifica a construção de uma unidade produtiva de grandes dimensões de gás liquefeito em Moçambique”. Assim, “se as actuais estimativas estiverem correctas, Moçambique terá a quarta maior reserva de gás natural do mundo, a seguir à Rússia, Irão e Qatar”.

    Para a OCDE, “a descoberta de extensas reservas de gás natural, sobretudo desde 2011, tem constituído um dos principais desenvolvimentos recentes com potenciais implicações económicas de monta”.

    A organização sustenta o seu optimismo no sucesso energético de Moçambique, com recursos a uma resenha das quantidades de gás descobertas nos últimos meses.

    “Em setembro passado, a Anadarko (petrolífera norte-americana) anunciou descobertas no bloco Área 1, ascendendo a 623 biliões de metros cúbicos de gás”.

    Moçambique está “estrategicamente bem posicionado” para vir a abastecer de matérias-primas os mais dinâmicos mercados emergentes, nomeadamente, Brasil, Índia e China, países de que se está a aproximar.

    Considera ainda que “apesar de, até ao momento, terem tido impacto reduzido sobre a actividade económica, estas descobertas de gás podem alterar completamente os contornos de desenvolvimento económico, social e humano de Moçambique a médio/longo prazo.”

    A prosperidade macroeconómica de Moçambique é consensual entre os analistas económicos internacionais. Recentemente, um relatório recente da Economist Intelligence Unit (EIU) coloca Moçambique entre os países com maior potencial em África.

  • Moçambique em 39.º lugar

    Moçambique é o 39.º mais equitativo dos 86 países emergentes e em desenvolvimento incluidos no índice da OCDE sobre discriminação de género e o segundo dos países de língua portuguesa, depois do Brasil em 8.º . A Guiné Bissau está em 45º.

    O índice da OCDE sobre Instituições Sociais e Género (SIGI), apresentado esta sexta-feira, conclui que, apesar das melhorias registadas nos últimos anos, a discriminação social e legal contra as mulheres continua a ser um grande obstáculo ao desenvolvimento nos países emergentes e em desenvolvimento.

    Encabeçado pela Argentina, o índice inclui 86 países, cuja equidade foi avaliada com base em 14 critérios, nomeadamente o casamento precoce, a presença das raparigas no ensino secundário ou a violência de género.

    Entre os países lusófonos, apenas Moçambique, o Brasil e a Guiné-Bissau estão incluídos na lista, estando os restantes ausentes por falta de dados.

    Moçambique, que passou do 77.º lugar do índice em 2011 para 39.º este ano, é aplaudido por ter passado para 18 a idade mínima para casar, tanto no caso das mulheres, como no caso dos homens.

    Relatórios das Nações Unidas citadas no Índice da OCDE indicam que, em 2003, cerca de 43% das raparigas moçambicanas entre os 15 e os 19 anos eram casadas, divorciadas ou viúvas (contra 3% nos rapazes), enquanto em 1980 a taxa era de 52%, o que indica que a aceitação social do casamento precoce está a diminuir. O Brasil, o primeiro dos lusófonos, surge em oitavo lugar, depois de no primeiro índice, em 2009, ter ficado em 24.º, mas os autores do relatório alertam que as comparações entre os dois índices têm de ser feitas com cautela porque os métodos de análise mudaram entretanto.

    Ainda assim, nas análises individuais dos países, o relatório reconhece que alterações recentes à legislação brasileira melhoraram a protecção das mulheres, nomeadamente no seio da família.