Empresários portugueses e brasileiros já desobriram as oportunidades que o mercado moçambicano oferece e prometem implantar negócios. Para apoiar os investidores nacionais, o Governo e os parceiros já disponibilizaram pouco mais de 35 milhões de dólares.
A área de agro-negócios tem estado a “roubar” a atenção reservada à área mineira quando se fala em negócios. Cada vez mais, há um maior despertar para os agro-negócios, por parte do Governo e dos empresários, pelo facto de se tratar de um sector adormecido, mas que pode assegurar o retornos aos investimentos, a avaliar pelo potencial agro-ecológico de Moçambique.
A agro-indústria consiste na transformação de matérias-primas provenientes da agricultura, pecuária ou silvicultura, sobretudo para a produção de alimentos.
Recentemente, o Governo moçambicano, o Governo da Dinamarca e o GAPI-Sociedade de Investimentos lançaram uma linha de financiamento de 35.6 milhões de dólares para apoiar as pequenas empresas do ramo agro-industrial, durante um prazo de quatro anos.
A linha Agro-investe é financiada pela Dinamarca em 33.1 milhões e pelo GAPI-SI em 2.5 milhões de dólares e inclui a capacitação institucional do Ministério da Agricultura. A linha irá disponibilizar 1.2 milhões de dólares para financiar iniciativas de jovens e prevê a aplicação de 12 milhões como fundos de garantia face ao alto risco de financiamento que a actividade representa. Entretanto, ainda falta definir algumas linhas de orientação, nomeadamente a taxa de juro a ser aplicada, o número de beneficiários, e os bancos responsáveis pela canalização dos montantes.
Brasil e Portugal não ficam atrás
Entre 23 de Fevereiro e 3 de Março deste ano, o país recebeu uma missão empresarial de Agronegócios organizada pela Câmara de Comércio, Indústria e Agropecuária Brasil-Moçambique (CCIABM) em parceria com o Sindicato de Trabalhadores Rurais de Guarapuava.
Interessados em investir no país, os brasileiros mantiveram reuniões com representantes de entidades como o Centro de Promoção de Investimentos (CPI), o Ministério da Agricultura e o Centro de Promoção da Agricultura de Moçambique (CEPAGRI), além dos governos distritais das províncias de Nampula e Niassa, e de reuniões com empresas do ramo do agronegócio. No fim, a comitiva de produtores rurais retornou ao Brasil “disposta a investir em Moçambique”, segundo a CCIABM.
Ainda em Março, foi a vez de um conjunto de empresários portugueses realizarem a primeira Feira Agro-alimentar em Moçambique. A ministra portuguesa da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território de Portugal, Assunção Cristas, defendeu então que ambos os países podem crescer no sector agro-alimentar e desafiou os empresários a investir nos dois mercados.
In revista Capital