Num horizonte temporal de pelo menos 5 anos, o sector petrolífero afigura-se como o ramo que irá dar suporte às taxas de crescimento da economia angolana. Entretanto, perspectivas traçadas pela Economist Intelligence Unit revelam que a corrupção e falta de capital humano serão os entraves ao desenvolvimento de um sector privado dinâmico, constituído por empresários sem ligações políticas ou militares.
Em termos económicos, Angola figura entre os países mais promissores do continente africano, apresentando taxas de crescimento muito animadoras. Esta tendência é justificada, segundo a Economist Intelligence Unit (EIU) num relatório que perspectiva a economia angolana caracterizada por um forte crescimento da produção de petróleo, e num contexto de maior procura de produtos petrolíferos e seus derivados, a nível mundial.
A actual conjuntura do mercado internacional, sob o ponto de vista de demanda, é favorável à exploração petrolífera naquele país. Entretanto, da análise feita pela EIU salta à vista o paralelismo estabelecido entre o actual alinhamento político e as dinâmicas que se verificam nos diferentes segmentos da economia angolana. Por outras palavras, há uma forte ligação entre a política e a economia, de tal modo que a elite do tecido empresarial angolano é composta maioritariamente por políticos e por pessoas a estes associados, por via de diversos laços.
Crescimento económico a um ritmo animador
As previsões da EIU, para o período compreendido entre 2013 e 2017, apontam para um aumento constante da produção de petróleo, sendo que os preços historicamente altos deste recurso irão impulsionar o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) angolano.
As estimativas mostram que a produção petrolífera poderá passar de uma média de 1,76 milhões de barris por dia (cifra registada em 2012) para uma fasquia de 2.23 milhões de barris por dia, em 2017. Porém, e devido a atrasos técnicos historicamente conhecidos e à ínfima possibilidade da OPEP (cartel de países produtores de petróleo) impor uma quota restrita de exportação do petróleo, existe a probabilidade da produção petrolífera crescer a um ritmo mais lento.
Por outro lado, encontra-se o ambicioso e gigante projecto de produção de Gás Natural Liquefeito (GNL), orçado em cerca de 10 biliões, cujas exportações poderão arrancar ainda este ano, apesar dos severos atrasos já registados. A se materializar este último projecto, o desempenho económico de Angola vai aumentar significativamente, prevendo os especialistas da EIU um crescimento real do PIB na casa dos 8,9% em 2013.
O crescimento económico de Angola vai continuar robusto nos próximos anos mas não se vai verificar às mesmas taxas de crescimento de 2013, que estão a ser largamente estimuladas pelo projecto de exportação de GNL. Daí que, entre 2014 e 2017, a taxa média de crescimento anual poderá vir a situar-se nos 5,7%, tendo por base a forte expansão sólida das operações no sector petrolífero.
Neste contexto, o crescimento do capital intensivo vai prevalecer robusto e dependente do income proporcionado pelos grandes investidores do petróleo, mas com poucas ligações a sectores da economia que não sejam controlados pelo Governo, como é o caso da construção e finanças.
Contudo, o desenvolvimento de um sector privado dinâmico deverá continuar a enfrentar sérios constrangimentos. Na origem destes entraves está, segundo o estudo da EIU, a falta de capital humano, a corrupção, um sistema judicial fraco e uma regulação deficiente.
Novo código pode dinamizar sector da mineração
Angola aguarda pela entrada em vigor de um novo código legal que pretende incentivar o investimento no sector da mineração, em larga escala. Este instrumento é tido como o factor que vai ajudar a diversificar a economia angolana, alicerçada na produção do petróleo e do gás.
Na essência, o novo código legal tem como objectivo criar um maior nível de transparência na indústria, melhorar as garantias para os investidores estrangeiros e proteger o meio ambiente e os empregos locais. Contudo, são ainda necessárias melhorias de fundo nas infraestruturas para dar suporte à exploração mineira, caso o país queira ter, de facto, a sua nova “casa forte” no sector.
Depois da independência do país, com a excepção dos diamantes, a mineração de um modo geral registou uma estagnação. Com o calar das armas, o Governo está agora empenhado em retomar a exploração.
É neste contexto que as linhas férreas, estradas, e infraestruturas portuárias estão a beneficiar de intervenções de fundo. A par destas obras de construção, decorrem trabalhos de prospecção de minérios como o ferro, ouro e cobre, em vários pontos de Angola. Planos de médio prazo projectam a construção de usinas de alumínio e aço, que poderão acrescentar valor às exportações angolanas e que têm um forte potencial de criação de postos de trabalho.
Tomando como base estas premissas, a economia angolana afigura-se como uma das mais promissoras em África e os seus recursos são autênticos chamarizes aos olhos dos investidores estrangeiros.
In revista Capital