A migração para a Radiodifusão Digital em Moçambique, cuja data-limite para a conclusão é Junho de 2015, está a enfrentar o desafio da mobilização de financiamentos para as principais componentes do processo, nomeadamente a construção da rede de emissão, aquisição dos Set-Top-Boxes (conversores do sinal) e as campanhas de comunicação.
De acordo com o vice-presidente da Comissão Nacional para a Migração Digital em Moçambique, Simão Anguilaze, um dos principais desafios que a comissão enfrenta relaciona-se com divulgação da Estratégia de Migração Digital, para suprir a falta de conhecimento ou de informação sobre o processo.
“Sentimos que a maioria dos cidadãos, mesmo aqueles com um grau de instrução mais elevado, não sabem o que vai acontecer e isso gera receios, dúvidas e ansiedades que devem ser ultrapassados através da comunicação”, explicou Simão Anguilaze, acrescentando que “neste momento estamos na fase de divulgação da Estratégia Nacional de Migração Digital em todo o País e de elaboração de um novo quadro legal e regulatório que esteja em conformidade com a Radiodifusão Digital”.
Por outro lado, conforme sublinhou, “estamos a preparar as condições técnicas e financeiras para a instalação de emissores digitais de teste em algumas províncias do País, começando por aquelas com maior teledensidade e, numa segunda fase, as restantes”.
Preocupa à Comissão Nacional para a Migração Digital o facto de a maioria da população ter que adquirir um Set-Top-Box (conversor) para continuar a receber as emissões: “isso terá um custo ainda não quantificado, daí que são absolutamente decisivas as campanhas de comunicação, para que a população se mobilize atempadamente para uma migração digital suave e amigável”, frisou Simão Anguilaze.
Num outro desenvolvimento, o vice-presidente da Comissão Nacional para a Migração Digital referiu existirem países mais próximos de nós, em termos culturais e de vizinhança, que estão em processo avançado de implementação, nomeadamente, a África do Sul e a Tanzânia, que têm servido de fonte de inspiração para Moçambique.
MULTICHOICE PARTILHA CONHECIMENTOS
A propósito da partilha de informações sobre o processo, a Multichoice reuniu recentemente, em Dubai, Emirados Árabes Unidos, representantes de alguns órgãos de informação mais influentes do continente africano, para a troca de experiências e partilhar informação actualizada sobre o processo de migração digital de vários países de África e Europa.
No decorrer do encontro, Daniel Onyango Obam, assessor de políticas de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC), partilhou a experiência do seu país, cujo processo de migração se encontra num estágio avançado e que deverá, até finais de 2013, proceder ao Analogue Switch Off (ASO), embora em etapas faseadas, a partir de Nairobi.
A conferência debruçou-se igualmente sobre os desafios e oportunidades que serão criadas com a migração, a tecnologia envolvida no processo de migração, políticas associadas, assim como as implicações do não cumprimento da meta estabelecida.
Aliás, com o propósito de sensibilizar o público nos países africanos sobre as obrigações, tendo em conta a aproximação da data-limite estabelecida de transição, 17 de Junho de 2015, a Multichoice tem conduzido a divulgação da migração digital em todo o continente, através da promoção de conferências, denominadas “Digital Dialogue Conference”.
Importa referir que, uma avaliação preliminar indica que a migração do sistema analógico para o digital de rádio e de televisão em Moçambique vai custar 90 milhões de dólares norte-americanos, fundamentalmente para a rede de emissão, aquisição de Set-Top-Boxes e campanhas de comunicação e divulgação. Entretanto, este valor poderá mudar se se incorporar a actual infraestrutura de suporte à radiodifusão existente no país, que ainda precisa de ser avaliada.