Na perspectiva de garantir uma formação superior de qualidade, o Conselho Nacional do Ensino Superior (CNES) está empenhado na criação de um ambiente de credibilização do sistema do ensino universitário no País, que ultimamente se debate com o fenómeno generalizado de fraude académica, segundo revelou, na terça-feira passada em Maputo, o reitor da Universidade Politécnica, Lourenço do Rosário.
O reitor da maior universidade privada em Moçambique considerou que o CNES e as instituições universitárias organizadas têm consciência de que o fenómeno de fraude académica está a tornar-se endémica no País: "Estamos a trabalhar no sentido de criar um ambiente de credibilização do sistema, pois não basta falar da qualidade do ensino, enquanto não fazemos coisas concretas para ir ao encontro dela", frisou.
Lourenço do Rosário referiu que, durante os exames realizados, recentemente, na Universidade Politécnica, foram detectados, com a colaboração de alguns estudantes, casos de pessoas já formadas que tentavam fazer provas em substituição de estudantes, para além de cábulas para copiar e exames falsificados.
Da análise feita ao fenómeno da fraude detectada, conforme referiu Lourenço do Rosário, a Universidade Politécnica chegou à conclusão que houve conivência de certos sectores da instituição, que permitem que este fenómeno sobreviva.
"Significa que existem alguns docentes e funcionários, que permitem que o fenómeno de fraude possa prosperar e permanecer dentro da instituição", disse o reitor, acrescentando que "detectámos vários tipos de fraude, desde alunos que levam cábulas para copiar e, ultimamente, tem havido estudantes que usam pessoas já formadas para substituí-las nas provas, dentro das salas de exame, porque muitos docentes não têm tido o hábito de exigir identificação aos estudantes".
Descrevendo a situação, o reitor da Universidade Politécnica disse tratar-se de "um fenómeno generalizado que, provavelmente temos que combater, por um lado, de uma forma didáctica, junto dos estudantes, e duma forma educativa e disciplinar, junto dos nossos docentes e funcionários".
Na busca de soluções, para este fenómeno, a Politécnica vai realizar um seminário pedagógico, para analisar os regulamentos da instituição, com vista a averiguar o que estará a falhar entre os recursos humanos, estudantes e os próprios regulamentos.
"Estamos perante uma rede inter-universitária de fraude que penetrou nas nossas instituições, porque não estávamos preparados, daí que estamos a resolver o problema. Até porque as instituições que estão a denunciar este fenómeno significa que se encontram minimamente preparadas", concluiu.
Importa ainda referir que os estudantes da Universidade Politécnica envolvidos naquele tipo de fraudes terão as suas provas anuladas, para além de uma repreensão que constará dos seus processos individuais.