Dados do World Economic Outlook publicados no corrente mês de Outubro apontam para uma revisão em baixa das perspectivas de crescimento global para 2015 (3,1%) e 2016 (3,6%), inferior aos 3,4% anteriormente esperados para o fecho do ano e em 20pb à estimativa feita em Julho passado. Estas perspectivas devem-se, fundamentalmente, ao abrandamento da procura global em resultado da redução do crescimento nas economias emergentes e dos fluxos de capitais, bem como da persistente queda do preço das commodities no mercado internacional.
Informação das economias mais desenvolvidas[1] mostra que as taxas de desemprego se mantiveram nos EUA e na Zona Euro, enquanto no Japão se observou um agravamento em 10pb, para 3,40%. Ainda neste grupo de países, dados de Agosto mostram que a inflação anual se manteve em redor de zero, aumentando, por isso, os receios de retorno à situação de deflação. Para a Zona Euro, as estimativas preliminares apontam para uma deflação de 0,1% em Setembro. O mês em análise foi ainda caracterizado pela redução dos níveis de depreciação anual do Euro, Yen e Libra, face ao Dólar dos EUA, para 13,0%, 9,3% e 7,2%, respectivamente. No mês em referência, os bancos centrais deste grupo de países decidiram manter as suas taxas de juro de política.
Nas economias de mercados emergentes[2], informações mais recentes referentes ao segundo trimestre de 2015 apontam para a desaceleração do ritmo de crescimento na China para 7,0%. Em Agosto, a inflação anual atingiu 9,5% no Brasil e 15,3% na Rússia, reflectindo o efeito da depreciação das suas moedas. Nos restantes países, a inflação manteve-se estável e consistente com as metas estabelecidas. Em Setembro, todas as moedas deste grupo de economias observaram uma desaceleração da sua depreciação anual face ao Dólar dos EUA, mas com o Real do Brasil (61,47%) e o Rublo da Rússia (64,98%) a registarem as maiores perdas. O Banco Central da Índia reduziu a sua taxa de juro de política em 50pb, para 6,75%, com vista a estimular a actividade económica e mitigar o risco associado à queda da procura global.
Nas economias da SADC, dados referentes ao segundo trimestre de 2015 indicam o abrandamento do ritmo de crescimento do PIB em todas aquelas que reportam trimestralmente. Com efeito, a taxa de crescimento reduziu para 2,5% no Botswana, 3,0% nas Maurícias, 1,2% na África do Sul e 5,9% em Moçambique. Por outro lado, a inflação anual registou em Agosto um comportamento misto, tendo, por exemplo, reduzido para 6,4% na Tanzânia e aumentado para 23,0% no Malawi. Exceptuando o Malawi e Angola, todas as economias da SADC registam níveis de inflação alinhados com a meta da região (5,0%).
Ainda na SADC, todas as moedas continuaram sob pressão face ao Dólar dos EUA em Setembro de 2015, com destaque para o Kwacha da Zâmbia que acumula uma depreciação anual de 90,9%, traduzindo adicionalmente o efeito da queda do preço internacional das commodities. Cada banco central da região decidiu manter a sua taxa de juro de política.
Os preços médios das principais mercadorias no mercado internacional com peso significativo na balança de pagamentos de Moçambique e no comportamento da inflação mostraram, em Setembro, um comportamento misto, destacando-se a queda do preço do Brent (8,7%), algodão (6,9%), carvão térmico (6,7%%) e gás (6,3%) perante um aumento mensal do preço médio do arroz (22,7%), açúcar (14,0%) e milho (7,8%). Em termos anuais, observa-se ainda a tendência generalizada para a redução dos preços das principais mercadorias, destacando-se os do brent (48,9%), gás (38,9%), carvão térmico (23,2%), açúcar (21,4%) e alumínio (19,6%), contra um aumento do preço do milho (21,4%), do trigo (7,2%) e do arroz (3,2%). No último dia de Setembro, o barril do brent foi cotado a USD 48,37, valor que representa uma redução mensal em 10,7%. No dia 13 de Outubro de 2015, o barril do brent foi cotado a USD 49,24.