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MRM: Gigante da mineração no negócio dos rubis

Gopal Kumar, director geral da Montepuez Ruby Mining (MRM), lidera uma empresa de extracção de rubis que resulta de uma ‘joint venture’ entre a Gemfields (75%), líder mundial em pedra preciosa de origem responsável e a Mwriti Lda (25%), uma empresa moçambicana. Desde 2011, altura em que emitiu as suas primeiras licenças de mineração, a MRM optou pela mineração em larga escala e já foi associada à desdoberta de rubis mais promissora da história actual. Saiba como funciona o negócio dos rubis, os seus leilões e valores de venda expressos em milhões de dólares.

Helga Nunes (texto)

Qual é a situação actual da MRM Operations?

A Montepuez Ruby Mining (MRM) é uma ‘joint venture’ entre a Gemfields (75%), líder mundial em pedra preciosa de origem responsável e a Mwriti Lda (25%), uma empresa moçambicana. A MRM emitiu as suas primeiras licenças de mineração em 2011 e, desde então, definiu e implementou consistentemente a melhor abordagem estratégica para a mineração em grande escala na sua área de concessão. Tem produzido alguns resultados excepcionais e foi amplamente reconhecida como "a descoberta de rubis mais promissora na história actual".

– Qual foi o lucro da companhia no último ano?

Os números finais para este ano ainda não estão disponíveis. No entanto, as receitas agregadas totais geradas pelos oito leilões desde Junho de 2014 até ao momento são de USD 280,5 milhões.

– Como funciona a indústria da exploração de rubis em Moçambique e na região?

Aquando das primeiras descobertas de rubis ​​na região, esta actividade estava sem regulamentação em Moçambique e era dominada por produtores artesanais de pequena escala, que operavam sem qualquer capacitação ou equipamento de segurança adequado. Houve um influxo significativo de comerciantes ilegais que se beneficiaram dessas práticas perigosas, aproveitando os mineiros artesanais e oferecendo preços bem abaixo do que era aceitável. Os impostos não estavam a ser pagos, o que significa que o Governo e os moçambicanos não estavam a receber a sua legítima parte.

O que foi feito para contariar esse estado de coisas?

Os governos nacional e provincial estão a trabalhar muito para regular a actividade de mineração ilegal de rubis em Cabo Delgado. Nos últimos anos, e em particular com a Gemfields e outras empresas que investem na área, tal aconteceu desenvolvendo a indústria, introduzindo boas práticas, criando empregos e projectos de intervenção social no local, incluindo escolas, clínicas de saúde e projectos de subsistência. Ou seja, a mineração dos rubis agora está a a ser transformada numa actividade em grande escala, organizada, social, economicamente responsável e ambientalmente sustentável, que paga impostos.

Que medidas a companhia toma no sentido de solucionar o problema relacionado com a competição imposta por exploradores ilegais?

A Montepuez Ruby Mining tem segurança no local para proteger a sua área de concessão, seus funcionários e contratados. E possibilita formação extensiva no sentido de garantir que isso seja feito de maneira segura, não violenta e respeitosa.

Por que é que os leilões ainda não são organizados em Moçambique?

Para atrair os maiores clientes do mundo, sentimos que é importante que os leilões tenham lugar numa plataforma internacional, numa região que lhes seja facilmente acessível. Como a maioria das empresas de lapidação e polimento se encontram baseadas na Ásia, torna-se lógico que os leilões ocorram lá. Como todo o imposto de produção é pago, independentemente de onde a extracção aconteça, para Moçambique não faz diferença em relação ao rendimento.

Parte da abordagem da Gemfield é promover e comercializar os rubis como commodities moçambicanas. Isso tem o efeito de aumentar a compreensão de que os rubis moçambicanos podem ser da melhor qualidade, igualando os da Birmânia, por exemplo, e isso está a gerar uma maior procura de rubis a nível global.

Que tipo de clientes surgem neste tipo de leilões e quais os principais mercados a que os rubis se destinam?

Os clientes convidados a participar do leilão não são apenas os melhores lapidadores e polidores do mundo, mas também aqueles que se associam ao código de conduta da Gemfields; suas políticas sobre práticas comerciais, sociais e ambientais. Os mesmos estão predominantemente baseados na Ásia, no entanto, os Estados Unidos da América (EUA) também estão a assistir actualmente a um aumento na procura de rubis.

O leilão, em Singapura, gerou uma receita de cerca de USD 44 milhões. Que parte dessa receita foi para a empresa e quanto se destinou ao Estado moçambicano?

O leilão mais recente, realizou-se em Junho deste ano, e gerou uma receita de US $ 58 milhões. O Estado moçambicano recebe cerca de 10% de impostos por cada leilão, além dos impostos empresariais obrigatórios.

In Revista Capital (Agosto 2017)

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This entry was posted on 1 de Setembro de 2017 by in Moçambique.

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