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Como o humor pode ser usado para se dizer certas verdades

Os cartoonistas utilizam o humor e um tipo de prosa bastante expressiva para camuflarem a verdade. A forma lúdica com que trabalham veicula mensagens ao mesmo tempo que provocam riso. Ainda assim, o que dizem é importante para a sociedade.

Esta foi a constatação feita por Célia Nhancupe, investigadora e docente na Universidade Pedagógica, durante a apresentação do 9° sub-tema das “Tertúlias Itinerantes”, edição de 2018, realizada, recentemente, na Escola Portuguesa de Moçambique.

Para aquela docente, a interpretação da escrita humorística pode ser realizada em diferentes dimensões, uma vez que, os cartoonistas elaboram o seu trabalho, também, com recurso ao sarcasmo e à banda desenhada. Isto suscita muitas leituras, dependendo do background do leitor.

Para sustentar o seu posicionamento, Célia Nhancupe utilizou parte das obras de Sérgio Zimba, Sérgio Tique e Neivaldo Nhatugueja. Estes autores adoptam o humor e o sarcasmo, como técnica para interagirem com os seus públicos e com a sociedade, no geral. A partir do seu trabalho, podem contribuir para a mudança de determinadas atitudes como, por exemplo, o excesso de utilização de campos de jogos, para fins diferentes dos propósitos para que foram construídos, algo que acontece em Moçambique.

Questionada sobre a interpretação de factos sociais ligados às tradições nacionais retratadas por alguns cartoonistas e apresentados durante o evento, Célia Nhancupe disse ser uma tentativa de colocar os públicos a reflectirem sobre elas. Deu o exemplo de uma vinheta na qual se retrata o kuphahla, ou seja nela se destaca um senhor de idade a evocar os espíritos dos seus antepassados, vertendo água por cima de um tapete, num hotel. Segundo ela, uma das abordagens que aquele desenho suscita é a adequação de determinadas práticas em determinados lugares, sem, contudo, subalternizar culturas.

A próxima tertúlia terá lugar no dia 22 de Novembro, no Centro Cultural Português em Maputo, durante a qual será abordado o tema: “Fluxos de comunicação intercultural entre Moçambique e Portugal”, pelos organizadores deste evento académico, “Tertúlias Itinerantes” e mais uma convidada da Universidade do Minho, Rosa Cabecinhas.

O mês de Novembro terá ainda uma outra tertúlia, no dia 27, subordinada ao tema “Dinâmicas culturais em Moçambique e seu impacto na promoção do turismo”, inserida no Congresso Internacional sobre Turismo, organizado pela Universidade Politécnica.

Importa referir que esta iniciativa académica é coordenada por Sara Laisse, docente da Universidade Politécnica, Eduardo Lichuge, da Universidade Eduardo Mondlane e Lurdes Macedo, da Universidade Lusófona do Porto.

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This entry was posted on 29 de Outubro de 2018 by in Moçambique.

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