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De Massangena a Guijá: Parceiros levam água para alimentar pessoas e gado

Nos últimos três anos, os distritos localizados a norte da província de Gaza, nomeadamente, Massangena, Chicualacuala e Mabalane, têm sido assolados por uma seca severa. Falta água para a produção agrícola, consumo humano, bem como para o gado. No sentido de mitigar os efeitos da seca e das mudanças climáticas, está em curso a implementação do Projecto de Gestão Sustentável dos Recursos Terra e Água (PGSTA) que, conta com o financiamento de 21.3 milhões de dólares norte-americanos, e pretende desenvolver infraestruturas hídricas para a agricultura, bem como restaurar os ‘habitats’ naturais e gestão da paisagem.

BELIZÁRIO CUMBE in revista CAPITAL

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) mobilizou a comunicação social para, in loco, testemunhar o impacto da implementação do Projecto de Gestão Sustentável dos Recursos Terra e Água (PGSRTA) em cinco distritos da província de Gaza.

Ao todo, foram cinco dias passados em longos quilómetros de asfalto e terra batida que serpenteiam a extensa Gaza, que a norte faz fronteira com a província de Manica e com o Zimbábwe.

O roteiro da visita teve como ponto de partida o distrito de Massangena, no extremo norte, onde o PGSTA prevê beneficiar directamente 4.200 famílias.

Na sequência, visitámos os distritos de Mapai e Chicualacuala (onde 5.200 famílias serão abrangidas) e os distritos de Mabalane, Guijá e Xai-Xai. Neste últimos três, o projecto espera beneficiar mais de 10 mil famílias.

Alias, segundo João Sambo, coordenador do PGSTA, no total o projecto prevê beneficiar, directamente, pouco mais de 20 mil agregados familiares.

Projectos que devolveram a água à província de Gaza

Nos últimos três anos, os distritos localizados a norte da província de Gaza, nomeadamente, Massangena, Chicualacuala e Mabalane, têm sido assolados por uma seca severa. Falta água para a produção agrícola, consumo humano, assim como para dar de beber ao gado.

No sentido de mitigar os efeitos da seca e das mudanças climáticas, encontra-se em curso a implementação do PGSTA que pretende desenvolver infraestruturas hídricas para a agricultura, bem como restaurar os ‘habitats’ naturais e gestão da paisagem.

O PGSTA, com a duração de cinco anos e cuja implementação termina este ano, está avaliado em 21.3 milhões de dólares norte-americanos. Deste montante, 74% reporta a um donativo do Fundo de Investimento Climático (CIF, na sigla em inglês); 15% é crédito do Banco Africano de Desenvolvimento (o rosto dos financiadores na implementação do projecto) e os restantes 11% representam à comparticipação do Governo moçambicano.

Este valor está a ser aplicado para a construção de 21 reservatórios escavados (represas), com capacidades para armazenamento de água que varia entre 15 mil metros cúbicos (3 reservatórios) e 25 mil metros cúbicos (18 reservatórios).Estão igualmente a ser instalados 56 pequenos sistemas de irrigação por aspersão com capacidade total de rega de 360 hectares. Estes sistemas, segundo Sambo, têm a particularidade de poderem ser deslocados de um lugar para o outro sempre que necessário.

É com base neste sistema, por exemplo, que em Massangena a população consegue produzir milho e hortícolas (tomate, repolho, alface, cebola, beterraba, e não só), praticamente todo o ano, segundo Gracinda Macamo administradora do distrito.

Outras iniciativas que estão a ser levadas a cabo no âmbito do PGSTA são a construção de nove viveiros agro-florestais e de 10 bebedouros para o gado, para além da edificação de 15 furos de água multifuncionais.

Com as represas e os furos multifuncionais, os distritos que foram assolados por uma seca severa, em 2016, voltaram a ter água. No distrito de Mapai, comunidade de Sangue, por exemplo, o reservatório de água construido há tres anos nunca secou e, entretanto, tem sido a principal, se não a única, fonte de água para as populações e para os animais. É que, se tivermos em conta que a província de Gaza possui a maior população bovina do país (pouco mais de 500 mil animais), segundo a governadora Stela Zeca, a falta de água era um obstáculo para a manutenção do gado em alguns distritos, visto que tinha que ser movimentado para os locais onde pudessem encontrar fontes hídricas.

Estes mesmos sistemas serviram de impulso para a melhoria da produção e da dieta alimentar das comunidades. É que, as populações passaram a produzir couve e alface, por exemplo. Ou seja, produtos que antes tinham que percorrer mais de 400 kilómetros (até Chóckwe) para comprarem.

É importante destacar que na maior parte dos distritos a produção, para além do consumo, é destinada à comercialização.

“O que foi feito ainda não representa 50% das necessidades”

A governadora da província de Gaza, Stela Zeca, recebeu a comunicação social no sumptuoso palácio provincial onde falou do impacto do PGSTA.

A governadora diz que muito foi feito, mas que ainda não representa 50% das necessidades no que diz respeito, principalmente, às infraestruturas de abastecimento de água a nível da província.

O que importa, porém, é que foram abrangidos distritos críticos onde a precipitação anual é muito baixa e o lençol freático está a mais de 150 metros de profundidade e com altos níveis de salinidade.

Uma palavra de apreço, segundo Zeca, vai para os financiadores visto que o custo de uma represa está avaliada em 500 mil dólares, valor que está muito acima das capacidades do governo provincial. Ou seja, sem o financiamento pouco ou quase nada seria feito.

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This entry was posted on 6 de Novembro de 2018 by in Moçambique.

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