Armando Artur e Álvaro Taruma vencem Prémio BCI de Literatura
“É uma enorme surpresa para mim estar aqui no pódio. Não esperava, não esperava”, repetiu Álvaro Taruma, o jovem escritor que com a obra ‘Matéria para um grito’, venceu ex-aequo, com o renomado Armando Artur e o seu livro ‘A reinvenção do ser e a dor na pedra’, venceram a 9ª edição do Prémio BCI de Literatura. E acrescentou: “Fico feliz por partilhar o prémio com o Armando Artur. É uma grande honra para mim. Este prémio é uma porta aberta e honra esta nova vaga de escritores jovens, da qual faço parte. É um grande subsídio para a literatura feita pelos mais jovens em Moçambique.”
O anúncio do vencedor teve lugar esta terça-feira, dia 26, no auditório do Edifício-Sede do BCI, sendo a primeira vez que o galardão, com um valor pecuniário de 200 mil meticais, é entregue a dois autores.
Momentos antes, Jorge Oliveira, presidente do júri e membro da Associação de Escritores Moçambicanos (AEMO), fundamentou a decisão do júri: “[as obras] apresentam-se sobre a forma dominante de poema/prosa, um género híbrido que já é uma tradição na nossa literatura, tendo começado com Rui de Noronha, em Quenguêlequêze, o poema em prosa foi cultivado ao longo do tempo. A riqueza estética deste tipo de género reside no facto de subverter a oposição binária própria da prosa ou poesia, instaurando uma determinação que não é completamente nem poesia nem prosa, nem simultaneamente poesia e prosa.” Mais adiante, continuou: “Do ponto de vista temático em ambas as obras irrompe um eu que questiona e se questiona sobre a ordem local e universal filtrada na celebração do labor da poesia e na exaltação do amor. Dois livros singulares, iguais no género, diferentes no olhar, mas profundamente poéticos.”
Recorde-se que o Prémio BCI de Literatura, instituído em 2010, resulta de uma parceria entre a AEMO e o BCI, e destina-se a premiar a obra, que um júri instituído pela aquela associação, reconhece como a mais meritória no conjunto das obras publicadas em Moçambique durante um ano.