Por Carmona Bila, docente de Estudos de Paz e Conflitos da Universidade Joaquim Chissano (UJC)
Penso que a escalada do conflito entre os EUA e o Irão não beneficia a economia global. A política agressiva de Washington, iniciada em Maio de 2018, “pressionar o Irão com máxima força”, liderada por Donald Trump, depois da saída dos EUA do acordo nuclear de 2015, marcou o início de sanções unilaterais contra as exportações do petróleo, a indústria do aço, a indústria petroquímica, o negociador do acordo nuclear, o chefe da força aérea, o líder supremo e designar de terrorista a elite militar iraniana. Porém, aumentou a presença militar americana no Golfo Pérsico, uma demostração de musculatura militar e económica e uma mensagem; não será tolerada qualquer acção ameaçadora dos persas na região.
Sem dúvidas, as medidas aumentaram o conforto aos aliados dos EUA – Arábia Saudita e Israel na região, enquanto o Irão preparava uma resposta calculada contra a política draconiana e intolerante da administração Trump. Não se devia esperar por resposta diferente do Irão, visto que o golpe colapsou a economia iraniana. O Irão procurou o local mais sensível dos EUA, escalou o conflito para tirar proveito, por incapacidade de resposta económica à altura. O problema do aumento do enriquecimento de urânio pelo Irão é a violação do acordo nuclear sabotado pelos EUA, que não garante um respeito do Tratado de Não Proliferação Nuclear, a posteriori.
Em relação à tensão no estreito de Ormuz, a mesma atravessa mais de 30 por cento do petróleo do mundo. A tensão afecta a economia global, mina interesses múltiplos dos aliados dos EUA, dos produtores e exportadores do petróleo podendo causar uma paragem da economia de vários Estados na região do Golfo e desacelerar a economia dos EUA. Os ataques contra navios petroleiros (Kokuka Courageousdo panamá e Front Altairda noruega no Golfo de Omã), sabotagem de oleodutos (Arábia Saudita e Emiratos Árabes Unidos) aumenta o risco e o receio de investidores na região.
A pressão sobre o Irão causou a subida do preço do barril do petróleo em 10$ para 80$, afectando negativamente as companhias petrolíferas exportadoras e provocando um corte de importações de cerca de 1 milhão de barris por dia por parte de alguns Estados europeus, exceptuando a China e a Índia. O preço do barril pode atingir 100$, caso a crise não venha a ser prolongada. Porém, se se prolongar, o preço pode subir e atingir os 150$ e 200$, implicando uma interrupção dos fluxos do petróleo e das importações marítimas de produtos nos países do Golfo, onde estão situados os maiores portos da região e paraísos fiscais.