O Instituto de Conservação Marinhade Seattle, em Washington, anunciou que escolheu a Rede de Conservação Comunitária da Baía de Inhambane como uma das novas Áreas Marinhas Protegidasmais eficazes do mundo. A palavra de toque é o desenvolvimento sustentável e a Rede em causa usa a conservação da biodiversidade para a segurança alimentar dos 11.000 habitantes das comunidades envolvidas e dos 80.000 habitantes do concelho de Inhambane.
A Rede de Conservação Comunitária da Baía de Inhambane,que engloba nove áreas permanentes, foi criada em 2016 pelos Conselhos Comunitários de Pesca de Nhamposa, Muelé, Mucucune, Guidwane e Marrambone, com a ajuda de duas ONGs locais, nomeadamente, a Ocean Revolution Moçambique e a Bitonga Divers.
A rede segue um plano de maneio baseado em "regras oceânicas" tradicionais e costumeiras, harmonizado com a Lei das Pescas e aplicado pelos CCPs e pela Polícia Costeira, Lacustre e Fluvial.
Esta é a primeira adição às áreas oficiais de protecção marinha em Moçambique, desde 2012, quando as Primaras e Secundas foram adicionadas como a primeira Área Ambiental Protegida de Moçambique. A Ocean Revolution apresentou, recentemente, um debate chamado "Quando Comunidades e Governo trabalham juntos para a Conservação" na Conferência Crescendo Azul, em Maputo.
A incrível biodiversidade e saúde dos 14.000 hectares da Baía de Inhambane constitui a fonte de alimentação desta província, que em termos agrícolas é insuficiente. De facto, as comunidades tiraram uma lição dos cadernos de outras organizações de conservação em Moçambique. A Rede de Conservação Comunitária da Baía de Inhambane usa a conservação da biodiversidade para a segurança alimentar dos 11.000 habitantes das comunidades envolvidas e dos 80.000 habitantes do concelho de Inhambane. Esta rede usa as mesmas regras de controlo que vêm de séculos anteriores, combinando o conhecimento ecológico tradicional com a ciência do século XXI.
Assistido por técnicas modernas do DPMAIP, IIP e Universidade Eduardo Mondlane, este modelo dirigido pela comunidade é de baixo custo e está a criar uma nova narrativa de conservação para todos os habitantes costeiros moçambicanos dependentes da pesca de pequena escala.
A Rede de Conservação Comunitária da Baía de Inhambane junta-se a um grupo de elite de Áreas Marinhas Protegidas reconhecidas pelo Instituto de Conservação Marinha este ano, incluindo a Reserva Especial do Atol Aldabra, nas Seychelles; Parque Nacional Isla del Coco, na Costa Rica; e Reserva Marina de Galápagos, no Equador; juntos, são alguns dos mais famosos "parques azuis" do mundo.
Longe de ser uma atracção para os turistas, a Rede de Conservação Comunitária da Baía de Inhambane representa o que a conservação de recursos pode fazer pela “boa gente” da província de Inhambane e todos os moçambicanos que dependem do oceano para viver.