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  • More Jazz Series na sua II edição

    O saxofonista camaronês Manu Dibango está a caminho de Maputo para dois concertos ao lado do moçambicano, Moreira Chonguiça.

    O primeiro concerto será realizado a 31 de Agosto corrente no Hotel Polana e o segundo terá lugar a 2 de Setembro, em Ricatla (Marracuene), no espaço da FACIM. Este concerto resulta da parceria estabelecida entre o IPEX, entidade que promove a Feira Internacional de Maputo, e a empresa More Promotions, que futuramente passará a tratar da animação cultural da Feira.

    Artigos 17.doc

  • Introduzida produção sustentável de carvão vegetal

    Um projecto-piloto de produção sustentável de carvão vegetal está a ser introduzido no país como forma de combater a actual pressão sobre a floresta, uma iniciativa do Governo com a ajuda de alguns parceiros incluindo próprios produtores.

    Trata-se de uma acção que visa extrair àquele recurso energético na base de fornos modernos chamados Casamança, altamente vantajosos, particularmente em termos de poupança de carvão.

    Numa primeira fase, o projecto envolve o Fundo Nacional de Energia e Agência de Desenvolvimento Económico Local (ADEL) em Sofala.

    Com efeito, o distrito do Dondo acolheu, recentemente, um curso de capacitação que envolve elementos ligados à área provenientes de quase todo o país. Durante o curso os participantes foram submetidos a técnicas na identificação de árvores com maior diâmetro para o abate.

    O representante dos Serviços Provinciais de Florestas e Fauna Bravia em Sofala, Teotónio dos Muchangos, referiu que a produção do carvão em fornos melhorados responde exactamente ao uso sustentável dos recursos florestais. Indicou ainda que numa produção tradicional do carvão perde-se muito tempo e o rendimento económico é relativamente baixo. Além disso, referiu que ambientalmente há maior risco na exploração desordenada da madeira e estacas para construção de casas.

    Por seu turno, o representante da ADEL em Sofala, Rodolfo Assane, precisou que outra vantagem ligada ao projecto é a facilitação na venda do produto aos revendedores associados na região.

    Pretende-se com a nova tecnologia que os rendimentos de produção alcancem 90 porcento contra apenas 35 dos fornos tradicionais.

  • Governo diz que a economia moçambicana vai competir com a da África do Sul

    BREVE: As autoridades moçambicanas negam as alegações do sector privado moçambicano, segundo as quais as empresas nacionais estariam a enfrentar problemas na Zona do Comércio Livre dos Países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), mormente na competitividade e transacções comerciais.

  • Governo poderá introduzir exame único de admissão ao ensino superior

    O Ministério moçambicano da Educação (MINED) está a avaliar a possibilidade de introduzir, no país, um exame único de admissão ao ensino superior, colocando, desta forma, todos os estudantes neste nível de ensino em igualdade de circunstâncias.

    Esta decisão saiu do Conselho Coordenador do MINED realizado semana passada em Chidenguele, província meridional de Gaza.

    De acordo com o Porta-voz deste ministério, Manuel Rêgo, o problema reside no facto de, actualmente, as condições de acesso ao ensino superior serem diferentes nas instituições públicas e privadas que operam no país.

    Enquanto nas instituições públicas há obrigatoriedade de um exame de admissão, colocando milhares de candidatos a concorrer para um número limitado de vagas, o mesmo já não acontece nas privadas, em que o critério para o acesso é, geralmente, a capacidade financeira para sustentar os estudos.

    “A recomendação que saiu do Conselho Coordenador é estudar a viabilidade de se introduzir uma prova única de admissão ao ensino superior, tendo em conta que só nas instituições públicas se realiza o exame e nas privadas não. Temos que fazer um estudo muito profundo porque o assunto é complexo e nos leva a verificar a legislação existente no país”, explicou Rego.

    O estudo deverá ainda observar as implicações financeiras do exame único para o país, entre outras questões.

    “O objectivo é garantir que os alunos estejam nas mesmas condições de ingresso, para além de garantir qualidade mínima de acesso ao ensino superior no país”, disse a fonte.

    Apesar do ensino superior em Moçambique ter registado um crescimento assinalável nos últimos anos, o seu acesso continua a ser praticamente exclusivo.

    Nas universidades públicas, a procura é maior, o que leva a que milhares de estudantes tenham que concorrer a um número muito limitado de vagas. Alguns cursos das universidades públicas chegam a oferecer apenas 14 vagas.

    Nas universidades privadas, os candidatos se inscrevem tendo opções de escolha, bastando ter capacidade para arcar com as mensalidades. Casos há em que sobram vagas.

    Devido a estas e outras dificuldades associadas, alunos com potencial para ter êxito nos seus estudos acabam ficando fora do ensino superior.

    Segundo Rego, para reverter esta situação, está em estudo, há já algum tempo, a política de financiamento do ensino superior, um processo que poderá estar concluindo ainda este ano.

    “Queremos garantir que estudantes brilhantes que não têm capacidade económica para frequentar o ensino superior continuem com os seus estudos. Existem várias bolsas de estudo geridas directamente pelo MINED e outras pelas próprias instituições. Pretende-se instituir um sistema que permita que os alunos com capacidade intelectual de frequentar o ensino superior não sejam impedidos por limitações financeiras”, explicou Manuel Rêgo.

    O Ensino Superior em Moçambique data desde o ano de 1962, quando foram criados os Estudos Gerais Universitários de Moçambique (EGUM), como resposta às críticas dos movimentos nacionalistas das colónias portuguesas, acusando-a potência colonizadora de nada fazer pelo desenvolvimento humano e intelectual das suas colónias.

    Foi assim que, através de um decreto de Dezembro de 1968, foi criada a Universidade de Lourenço Marques (ULM), mais tarde transformada em Universidade Eduardo Mondlane (UEM).

    Enquanto isso, no ano de 1985, depois da independência nacional, era criado o Instituto Superior Pedagógico (ISP), actual Universidade Pedagógica, estabelecendo-se assim a segunda Universidade Pública. A seguir a UP, surgiu o Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI) vocacionado para a formação de quadros para a área de relações internacionais e diplomacia.

    Com o crescimento da população estudantil pretendendo ingressar no Ensino Superior em Moçambique foram instituídos, em 1991, os exames de admissão ao Ensino Superior e, em 1993, foi aprovada a Lei do Ensino Superior, criando – se o quadro legal para a aprovação dos Estatutos Orgânicos de cada instituição, para além da criação do Conselho Nacional do Ensino Superior.

    Com a introdução da economia de mercado em 1987, que coloca novos actores no cenário socio-económico e cultural, designadamente o sector privado e a sociedade civil, criou-se espaço para a intervenção do sector privado no Ensino Superior.

    Assim, em 1993, iniciou o processo de criação das primeiras Instituições Privadas do Ensino Superior, designadamente, a Universidade Católica de Moçambique (UCM), o Instituto Superior Politécnico e Universitário em (ISPU), hoje “A Politécnica”, e o Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique (ISCTEM).

    Actualmente, Moçambique conta com 38 instituições do ensino superior, maior parte das quais privadas, albergando pouco mais de 30 mil estudantes.

    RM/AIM

  • Incêndio devora armazém em Pemba

    BREVE: Um incêndio de grandes proporções reduziu a cinzas um armazém contendo produtos diversos, desde motorizadas, pneus de camiões e carros ligeiros, bicicletas e outros em quantidades ainda não especificadas, pertença do grupo comercial Patel, na manhã de ontem, 14 de Agosto, na cidade de Pemba, na capital provincial de Cabo Delgado.

  • Diplomacia : Angola e Moçambique procuram facilidades na entrada dos seus cidadãos

    O secretário executivo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), Tomáz Salomão, manifestou-se nesta terça-feira, em Maputo, satisfeito com o processo de facilitação do processo migratório entre Angola e Moçambique.

    Em conferência de imprensa, na capital moçambicana, disse que está em fase conclusiva a facilitação de circulação de cidadãos dos dois países, evitando a imigração ilegal.

    Sublinhou que já está na fase final de ratificação de documentos e o processo apenas está atrasado devido ao processo eleitoral em curso em Angola.

    Referiu que de momento existem apenas problemas em Moçambique com a República Democrática do Congo (RDC), que, uma vez ultrapassados, o fenómeno “imigração ilegal deixará de ter sentido”.

    Chamou atenção para a imigração ilegal de cidadãos de outras regiões para a SADC a procura de estabilidade, incluindo países como o Iraque, Palestina, Síria, Somália e do Líbano, e que aproveitando-se das fraquezas que encontram, passando até até a exibir identificação de países de chegada, como se se tratassem de cidadãos nacionais.

    Pede, entretanto, que se evite a hostilidade a estrangeiros desde que a sua presença não signifique instabilidade, aumento do índice de criminalidade e pirataria.

  • Stewart Sukuma apresenta “Txopela Moçambique”

    Os traços culturais, as paisagens, a musicalidade das 11 províncias que perfazem este vasto Moçambique são levados aos telespectadores, pelo compositor e intérprete moçambicano, Stewart Sukuma, através do programa televisivo “Txopela Moçambique”, transmitido semanalmente na RTP África.
    Trata-se de uma viagem sobre a cultura popular, artesanato, turismo e gastronomia, onde a riqueza da culinária moçambicana com os seus sabores que fazem a diferença por sua especificidade, é retratada de uma forma divertida e original.
    No “Txopela Moçambique”, Stewart Sukuma veste-se de gala para sabiamente retratar Moçambique, para visitar perto de 26 destinos do Sul ao Norte do País, cobrindo os lugares mais importantes cultural e historicamente, e os lugares mais bonitos desta bela pérola do Índico.
    O compositor e intérprete Stewart Sukuma segue na boleia do “Txopela Moçambique” para descortinar o véu e revelar a riqueza de um povo alegre, levando Moçambique à casa do telespectador, através de um programa semanal com repetições, onde aquele é o principal convidado a degustar da beleza moçambicana, suas vivências e alegrias de num País repleto de vida, exotismo e mistérios.
    Refira-se que a diversidade da cultura é o cenário deste programa televisivo “Txopela Moçambique”, que todas as semanas dá a conhecer a cultura e o artesanato de um determinado lugar, escalado pelo autor de “Xitxuketa Marrabenta”.
    No âmbito da responsabilidade social, nos diferentes locais visitados, Txopela Moçambique contempla, nas suas descobertas, visitas a escolas, oferta de material escolar e refeições aos alunos, entre várias outras iniciativas para suprir as carências das crianças em idade escolar, desde a construção de escolas até à manutenção das mesmas. Prevê-se também, num futuro muito próximo, que o Txopela Moçambique venha a ser transmitido pela TVM.

  • Plano Director do Porto de Maputo: Crescimento supera projecções iniciais

    BREVE: O Porto de Maputo poderá manusear anualmente até 60 milhões de toneladas de carga por alturas do fecho do seu plano-director de desenvolvimento (2012-2030), segundo projecções dos gestores da infra-estrutura.

  • Banco de Moçambique manteve inalteradas principais taxas de juro

    O Banco de Moçambique decidiu manter inalteradas as taxas de juros de intervenção no mercado monetário interbancário, em 11,50% para a Facilidade Permanente de Cedência, 3,00% para a Facilidade Permanente de Depósitos e 8,00% para o coeficiente de Reservas Obrigatórias, informou a instituição.

  • Torneio celebra 118 anos do Standard Bank em Moçambique

    Teve lugar, no sábado, dia 11, na cidade de Maputo, a abertura da terceira edição do torneio Standard Bank, um evento desportivo que acontece em simultâneo nas cidades de Quelimane, Beira, Chimoio, Tete e Nampula.
    Este torneio ocorre enquadrado nas celebrações dos 118 anos de implantação do Standard Bank em Moçambique.
    O mesmo tem como objectivo criar um intercâmbio e incentivar a prática do desporto entre os colaboradores do Standard Bank e de outras instituições participantes, nomeadamente o Banco de Moçambique, MozaBanco, BCI, Banco ABC e as Linhas Aéreas de Moçambique.
    O torneio tem a duração de três semanas e conta com a participação de perto de 100 jogadores, na sua maioria de instituições bancárias que disputam nas modalidades de Futsal e Basquetebol.
    Durante a cerimónia de abertura da edição 2012 do Torneio Standard Bank, o administrador delegado do Banco, António Coutinho, afirmou que “através desta acção queremos celebrar mais um aniversário da nossa instituição e encorajar os nossos colaboradores a interagirem com os das outras instituições, e criar um espírito de equipa, o que contribui para o sucesso de qualquer negócio”.

  • Janela Única Electrónica: Malawi colhe experiência moçambicana

    Uma delegação das alfândegas do Malawi esteve em Maputo, semana passada, com o objectivo de acordar mecanismos de conectividade entre os dois países, com vista a garantir a troca de informação eficiente e controlo do trânsito de mercadorias de comércio externo. A visita, que decorreu durante três dias, permitiu ainda adquirir a experiência de Moçambique, no concernente à implementação de sistemas modernos de desembaraço – Janela Única Electrónica, JUE.
    Para o efeito, foi organizado um encontro, durante o qual esteve em debate a possibilidade de cooperação em relação à circulação de mercadorias na região, bem como o processo de modernização das alfândegas em vigor no nosso País, através da introdução do sistema JUE.
    No referido encontro, a equipa moçambicana de implementação do sistema da Janela Única Electrónica fez a apresentação do projecto já em pleno funcionamento nos três principais portos do País, nomeadamente Maputo, Beira e Nacala, incluindo a Alfândega de Tete.
    Durante o encontro, Shadric Namalomba, representante das alfândegas do Malawi disse o seguinte: “Nós acreditamos que a experiência de Moçambique em relação ao funcionamento da Janela Electrónica é uma realidade e queremos aproveitar este momento para aprender os passos necessários para a introdução deste sistema no Malawi”.
    Moçambique é um dos países pioneiros na implementação do sistema, tendo por objectivo facilitar o comércio externo e melhorar a integração regional entre os países da SADC.
    “Há necessidade de Moçambique partilhar a sua experiência com os países vizinhos, de maneira a que o sistema seja implementado na sua plenitude e, consequentemente, evitarmos problemas de conectividade entre os sistemas informáticos aduaneiros” – disse, por seu turno, o chefe da Divisão de Cooperação Internacional, da Autoridade Tributária de Moçambique, Gimo Jone.
    O projecto da Janela Única Electrónica funciona em algumas partes do mundo, sendo que em África três países contam com este tipo de serviços, nomeadamente Gana, Madagáscar e Moçambique.

  • Financiamento externo: Governo procura alternativa à Europa

    O ministro da Planificação e Desenvolvimento, Aiuba Cuerneia, falando em Maputo, num “briefing” com a Imprensa, afirmou que o maior contribuinte da economia moçambicana é a União Europeia, organização cujos países membros estão afectados pela crise na Zona Euro.

  • Artshow positiva chegou

    O projecto Showesia, embora legalmente instituído recentemente, tem vindo a concretizar acções à volta do resgate e divulgação do património cultural desde 1994.

    No âmbito da II Edição do Festival Showesia, subordinado ao lema “Festival mais saúde para nós, por uma vida positiva”, cujo objectivo é educar e disseminar valores e princípios para uma vida mais saudável para os infectados e afectados pelo HIV e Sida através da arte e da cultura, a Associação Cultural Showesia lança o concurso “Artshow positiva”, na Associação dos Músicos Moçambicanos.

    O concurso é direccionado a todas as expressões artísticas (música, dança, literatura, pintura etc.), desde que os mesmos produzam uma obra sobre o HIV, tendo como prémio total o valor de 46.000 meticais, a ser repartido entre os três melhores lugares. O vencedor será anunciado no dia 1 de Dezembro do ano em curso.

    Para além do concurso, a II Edição do Festival Showesia inclui debates, espectáculos, concursos de arte, marchas, aconselhamento e testagem, visitas a escolas e universidades.

    O objectivo é educar e disseminar valores e princípios para uma vida mais saudável para os infectados e afectados pelo HIV e Sida, bem como – através da arte e da cultura – sensibilizar para a prevenção com um conjunto de práticas que a sociedade pode seguir, transmitindo princípios de solidariedade e não discriminação.

  • Comédia vence guerra de audiências

    O público amante das artes cénicas em Moçambique consome, cada vez mais, espectáculos de humor ou de comédia e a tendência tem, sobretudo, vindo a ser impulsionada pela aparição de actores que abraçam novos géneros artísticos. Nesse sentido, os vulgo Stand Up comedians e os contadores de piadas já começaram a tomar os palcos de assalto e seus argumentos escritos são encenados com alguma picardia e com o objectivo de provocarem risadas intermináveis em troca de um bom cachet.

    Os sociólogos Carlos Serra, no decorrer de um debate televisivo no canal STV e Carlos Osvaldo, no âmbito uma oficina de teatro realizada no Centro Cultural Franco Moçambicano em 2011, explicam que essa apetência pelo humor decorre do facto de Moçambique ser uma sociedade que não quer, sob circunstância alguma, recordar-se dos vestígios da guerra. A própria televisão já se apercebeu da preferência das suas audiências pelo humor e oferece cada vez mais tempo de antena a programas humorísticos e de recorte social, onde os contadores de histórias mundanas e as fofocas bem temperadas predominam. Não há nada como ir beber experiências ao quotidiano e a proximidade em relação aos temas abordados e situações vividas parece ganhar mais interesse.

    À parte a veia dramática que o teatro pode suscitar, o que se constata é que no braço de ferro entre géneros quem ganha é a comédia. Com efeito, o teatro empresta cada vez mais os seus actores cómicos a programas televisivos de humor, como «Sorriso», «Otheya» ou mesmo «Feijão com Todos». Esta “migração” dos artistas fez com que os espectadores passassem a ficar, não só agarrados aos assentos das salas de teatro como ao conforto das suas próprias salas com os olhos pregados no ecrtã de TV. E todos os canais televisivos paracem investir em produções que alimentam a boa disposição como um meio simples de garantir os shares.

    Mutumbela Gogo vs. Gungu

    Dois grupos de teatro que se assumem como referência no mercado moçambicano – Mutumbela Gogo e Gungu – comprovam a febre de que o público de Maputo parece ‘padecer’ pela comédia, sobretudo a de fácil consumo. Enquanto o primeiro aposta em produzir espectáculos de dramaturgos clássicos, sobretudo os de origem europeia, o segundo opta por narrar factos de recorte actual vividos ao vivo e a cores no quotidiano moçambicano.

    A opção da companhia Gungu tem resultado num sucesso de bilheteira fora do comum. Situações há em que, esgotados os 700 lugares do Cine Teatro Gilberto Mendes, os espectadores chegam mesmo a sentar-se no chão para libertar uma bela gargalhada. O tempo que uma peça da companhia Gungu fica em cartaz geralmente é de seis meses, o máximo de tempo que em média se consegue em Moçambique. Mas o recorde foi alcançado pela comédia «A Guerra das Sogras», que conseguiu a proeza de lotar as salas durante um ano.

    No que diz respeito ao grupo de teatro Mutumbela Gogo, a sua opção recai pela interpretação de uma dramaturgia direcionada em larga medida para um segmento de audiência restrita, mais composta por uma classe que vai da média à alta. Contudo, e muito dificilmente, as peças conseguem ficar em cartaz durante mais de dois meses.

    O Mutumbela, desde a década passada, possui um vasto mercado a nível internacional, cujo segmento se identifica com o seu estilo. São estes mesmos palcos que actualmente não se cansam de requisitar a peça «A Cavaqueira do Poste», representada por um grupo de teatro denominado ‘Lareira’ e que é considerado também um outsider. A comédia deste, feita com ferramentas contemporâneas, já conquistou Brasil e Portugal. Ao mesmo tempo, Angola, Cabo Verde e Macau já manifestaram interesse em apreciar «A Cavaqueira do Poste» nos seus palcos.

    Por outro lado, a chegada do Stand Up comedy a Moçambique, um género geralmente feito sem acessórios, cenários, caracterização, personagem e sem o recurso teatral da quarta parede, aguçou ainda mais o apetite pelo humor. O género artístico, trazido a Moçambique pelo grupo ImproRiso, arrasta multidões para as já famosas Noites de Stand Up Comedy no Cine Teatro Gilberto Mendes e também para algumas Casas de Pasto.

    A equipa que compõe o grupo ImproRiso tem a noção perfeita de que o apetite da população de Maputo e arredores pelo humor é voraz e representa uma séria oportunidade de profissionalização. Aliás, o preço alto cobrado aquando da visita a Maputo de grandes humoristas internacionais, como os portugueses Herman José e Fernando Rocha, assim como o brasileiro Bruno Motta, não coibiu ninguém de comprar o ingresso, apesar das conhecidas dificuldades financeiras que os locais enfrentam.

    Gilberto Mendes é o mais conhecido e Lucrécia Paco é a preferida

    Resultados de uma pesquisa desenvolvida recentemente pela empresa moçambicana de consultoria PCBCX – Consultoria de Marketing e Pesquisa de Mercado, revelam que apenas 20% da população residente na província e cidade de Maputo costuma ir ao teatro com alguma regularidade. 56 por cento dos indivíduos não costumam ir ao teatro por nítida falta de tempo, ao passo que a falta de oportunidade, a distância e as condições financeiras insuficientes são outros dos motivos indicados para justificar a não adesão dos inquiridos às peças teatrais. Por outro lado, são os indivíduos mais velhos os que apresentam uma maior propensão para não ir ao teatro.

    Gilberto Mendes é o actor de teatro mais conhecido pela população residente, com 68 por cento. Lucrécia Paco e Adelino Branquinho são os actores que ocupam a segunda e a terceira posições neste ranking de notoriedade, com 24 e 22 por cento, respectivamente. É de destacar, no entanto, que cerca de um quarto da população residente não sabe indicar o nome de qualquer actor.

    O mesmo estudo mostra que Gilberto Mendes é o actor preferido por 31 por cento da população residente na província e cidade de Maputo, seguido por Vasco Condo, Mário Mabjaia e Adelino Branquinho, com 7, 5 e 4 por cento, respectivamente. Ao mesmo tempo, Lucrécia Paco é a actriz preferida por 15 por cento da população, seguida pelas actrizes Cândida Bila e Joanette Rombe, com 9 e 6 por cento, respectivamente.

    É importante referir que quase um terço da população residente na província e cidade de Maputo não sabe indicar o nome de qualquer grupo de teatro. Não obstante, em termos de grupos de teatro, o Gungu é o mais conhecido (63%) seguido pelo Mutumbela Gogo (41%). Gungu é também o preferido (49 por cento dos residentes), seguido pelo Mutumbela Gogo, apenas com 6 por cento.

    Por último, e além de ir ao Teatro, passear, ver televisão e ler (jornais, revistas, bíblia ou outros livros) são as principais actividades de ocupação dos tempos livres dos inquiridos, com 18, 16 e 16 por cento, respectivamente.

    Helga Nunes (In África 21)