Categoria: Moçambique

  • Formação profissional vai estimular segurança alimentar nos distritos

    Jovens baseados nos distritos poderão, a partir de agora, adquirir habilidades para o auto-emprego ou preparar-se para concorrer noutros níveis por mais e melhores empregos.

    Para o efeito, foi celebrado um memorando de entendimento entre o ministério do Trabalho, Emprego e Segurança Social (MITESS) e uma missão de alto nível da Fundação Big Win, apoiada pela Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC).

    Este tipo de formação profissional vai contribuir para o aumento dos níveis de segurança alimentar no País. Pretende-se que a partir das unidades móveis, as chamadas “Escolas que andam”, sejam ministrados cursos virados para a segurança alimentar, como agro-processamento e segurança nutricional. No âmbito desta iniciativa, será dado enfoque à agricultura, através da produção de bens alimentares que contribuam para a melhoria da componente de saúde nutricional.

    Na ocasião, a titular da pasta do Trabalho, Emprego e Segurança Social, Vitória Diogo, referiu que o Plano Quinquenal do Governo 2015/2019 preconiza a criação de 1.5 milhão de postos de emprego no país: “A iniciativa da Big Win vem ao encontro das prioridades elencadas pelo Governo nas áreas de emprego para jovens e nutrição no âmbito da segurança alimentar”.

    Para a ministra, sendo o distrito a base e o pólo de desenvolvimento é oportuno juntar sinergias, unidades móveis e a componente da agricultura, para prover mais e melhores empregos para os jovens e melhorar a saúde nutricional.

    Vitória Diogo fez saber ainda que o Governo investiu na aquisição de 20 unidades móveis orientadas para as áreas de agro-processamento, serralharia, electricidade e carpintaria.

    “No quadro do presente entendimento, pretendemos que a Big Win focalize o seu apoio à área de processamento de frutas, legumes, tubérculos e cereais para melhorar a nutrição e dieta alimentar das comunidades”, disse Vitória Diogo.

    Por seu turno, Graça Machel, presidente da FDC, explicou que aquela agremiação está empenhada na busca de oportunidades visando apoiar o País e o Governo, na materialização das prioridades emanadas no seu Programa Quinquenal.

    Foi na sequência desse trabalho que, segundo Graça Machel, a FDC foi identificada pela Fundação Big Win Filantropia, pela natureza, abordagem de trabalho e o tipo de actividades que desenvolve, como parceiro estratégico no apoio a Moçambique.

    Por sua vez, o director Executivo da Big Win, Muhammad Ali Pate, antigo ministro da Saúde da Nigéria, referiu que a organização, baseada nos Estados Unidos da América, foi fundada em 2015, com o objectivo de identificar oportunidades com potencial nacional ou global para criação de parcerias em vários domínios.

  • Livro sobre “Tendências da Crítica Literária em Moçambique” é lançado

    Foi lançada na quarta-feira, 13 de Setembro, em Maputo, a obra “Tendências da Crítica Literária em Moçambique”, da autoria do jornalista Jeremias Langa. Chancelada pela Alcance Editores, o livro conta com o apoio da mcel–Moçambique Celular, no âmbito da sua responsabilidade social corporativa.

    Conforme avançou Jeremias Langa, a obra “Tendências da Crítica Literária em Moçambique” é resultante, na verdade, de um trabalho de pesquisa académica para a obtenção do seu grau de mestre, debruçando-se sobre as tendências dominantes da crítica literária em Moçambique e o seu impacto na dinâmica cultural nacional.

    Contextualizando a obra, o autor referiu que, “essencialmente, quis estudar os momentos mais marcantes da literatura, ou seja, de uma forma diacrónica, olhando desde o lançamento dos primeiros jornais no final do século XIX e princípios do século XX”.

    Nas “Tendências da Crítica Literária em Moçambique”, Jeremias Langa defende que a literatura moçambicana tem as suas raízes no jornalismo. E para chegar a esta conclusão, revelou ter desenvolvido um trabalho de mapeamento desde aquilo que foi a influência do jornalismo na literatura que se faz em Moçambique, como também no seu processo de crescimento até aos dias de hoje.

    “Essencialmente faço este olhar, não através dos autores dos livros, mas através das vozes que fizeram a análise dos textos. Portanto, esta obra é uma espécie de metacrítica, na qual observo a literatura a partir dos olhos daqueles que, em determinado contexto histórico, fizeram a análise de várias obras”, explicou.

    Intervindo também no evento, o administrador executivo da TDM–Telecomunicações de Moçambique e da mcel, Binda Jocker, assumiu que “é uma honra termos a nossa marca associada a esta obra de grande dimensão, que contribui para o desenvolvimento da nossa literatura”.

    De acordo com Binda Jocker, a TDM e a mcel têm dado, ao longo dos anos, uma valiosa contribuição às artes e letras, através de vários projectos nas áreas de literatura e das artes plásticas, dada a importância que elas representam na elevação e dignificação da cultura moçambicana.

    “Temos vindo a apoiar a publicação de várias obras literárias, sendo que hoje temos o privilégio de nos associarmos a mais uma importante obra, do nosso conceituado jornalista e agora escritor, Jeremias Langa”, referiu Binda Jocker.

    O administrador da TDM e da mcel aproveitou ainda a ocasião para referir que as duas empresas continuarão a dar a sua valiosa contribuição para o crescimento da literatura moçambicana e não só.

    “Esperamos também incentivar e estimular o gosto pela leitura nos moçambicanos, o que irá contribuir para o desenvolvimento da educação no nosso País”, manifestou.

    Importa referir que o lançamento do livro “Tendências da Crítica Literária em Moçambique” contou com vários convidados, com destaque para ministro da Juventude e Desportos, Alberto Nkutumula.

  • Universidade Politécnica: Narciso Matos empossado como novo Reitor

    Tomou posse na quarta-feira, 13 de Setembro, o novo Reitor da Universidade Politécnica, Narciso Matos, que substitui no cargo Lourenço do Rosário, que dirigiu a instituição desde a sua criação, em 1995.
    Narciso Matos, Doutorado em Química pela Universidade de Humbolt, Alemanha, desempenhava, até à data do seu empossamento, a função de Pró-Reitor para o Desenvolvimento Institucional da Universidade Politécnica.
    Com esta passagem de testemunho, Lourenço do Rosário, fundador do então Instituto Superior Politécnico e Universitário (ISPU), actual Universidade Politécnica, deixa, 22 anos depois, a Reitoria da instituição, continuando, no entanto, a assumir funções de Presidente do Conselho de Administração do Grupo IPS, proprietário da Universidade, para além de passar a exercer a função de Chanceler, órgão que tutela o relacionamento inter-institucional do Grupo.
    No seu discurso, o novo Reitor comprometeu-se a consolidar e valorizar o legado deixado pelo seu antecessor, e a dar primazia à qualidade de ensino, uma das marcas da Universidade Politécnica.
    “Vamos pugnar sempre por continuar a ser uma excelente universidade, que dá ao País quadros preparados para contribuírem para o bem-estar social, que participa e intervém na reflexão e no debate das questões nacionais candentes e que está enraizada em Moçambique pela pesquisa com rigor científico e pelo serviço comunitário”, asseverou Narciso Matos.
    Por seu turno, Lourenço do Rosário fez revisitou o passado da instituição, para falar do contexto em que foi criada a Universidade Politécnica, em 1995, um ano após a realização das primeiras eleições multipartidárias do País.
    “Criar uma universidade privada naquele contexto foi um acto de coragem e ousadia, dado que no País ainda dominava a ideia de que o Estado é provedor de tudo. Para além de que acabávamos de sair de uma guerra que durou 16 anos”, lembrou Lourenço do Rosário, cujo esforço e dedicação foram reconhecidos pelo Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário, que testemundou o acto.
    “Manifestamos o nosso reconhecimento pela sua valiosa e inestimável contribuição na formação do capital humano em prol do desenvolvimento de Moçambique. Os seus feitos são notáveis e foram determinantes para o crescimento e consolidação da Universidade Politécnica”, considerou o Primeiro-Ministro, que participou, igualmente, na XIX cerimónia de graduação da Universidade Politécnica, na qual foram colocados no mercado 272 quadros superiores, sendo 253 licenciados e 19 mestres.
    Aos graduados, dos quais 62% são do sexo feminino, Carlos Agostinho do Rosário instou a aplicarem os conhecimentos adquiridos ao serviço do País “com vista a elevarmos continuamente os níveis de produção e produtividade e, desse modo, contribuir para a melhoria das condições de vida da população”.
    Com esta cerimónia, cresce para 8439 o número de graduados pela Universidade Politécnica. São especialistas e investigadores que, em várias frentes, têm contribuído com o seu talento para o desenvolvimento do País.

  • Oferta de gás aquém do desejado

    A cidade e província de Maputo continuam a registar rotura na disponibilidade de gás de cozinha, sobretudo da marca Galp, devido ao aumento da procura, aliado à redução do preço de compra.

    Mesmo depois de se ter observado um relativo aumento da oferta, tanto os revendedores como os compradores reportam fraca resposta à demanda pelo produto nas últimas semanas.

    O “Notícias” esteve nalguns postos de venda, onde se confrontou com situações em que pessoas regressavam à casa com botijas vazias.

    A título de exemplo, a Bom Gás, um dos revendedores, não tinha recebido a encomenda diária até às nove horas da manhã de ontem, contrariamente ao habitual.

    “Não há gás e as contas se complicam porque este é o único combustível de cozinha acessível. O carvão continua caro. Usar fogão eléctrico fica ainda mais dispendioso”, disse um cliente encontrado na ocasião à procura de gás.

    Outro revendedor visitado, a Mavigás, queixou-se da redução do número de botijas disponibilizadas para 500 diárias, contra as anteriores 1000.

    Situações destas são reportadas também por vários outros revendedores que não têm recebido quantidades satisfatórias e, por consequência, também são pressionados pelos clientes.

    A propósito, Moisés Paulino, director de Hidrocarbonetos e Combustíveis no Ministério de Recursos Minerais e Energia, apontou que a escassez resulta da pressão derivada do aumento da procura.

    A Petrogal, que fornece as botijas com a marca Galp, prometeu pronunciar-se nos próximos dias, incluindo sobre as queixas de que algumas garrafas chegam aos revendedores sem o respectivo selo.

  • Inflação reduz em Moçambique

    O País registou, no mês passado, uma queda de preços ao atingir uma inflação mensal negativa de 0,02 por cento.

    Dados tornados públicos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a inflação acumulada situou-se em 3,29 por cento e a homóloga em 14,13 por cento.

    Em comunicado de imprensa enviado ontem, a nossa Redacção, o INE refere que os dados recolhidos nas cidades de Maputo, Beira e Nampula ao longo do mês de Agosto de 2017 indicam que a divisão de alimentação e bebidas não alcoólicas contribuiu para o total da inflação mensal com cerca de 0,21 pontos percentuais (pp) negativos.

    “As divisões de Habitação, água, electricidade, gás e outros combustíveis e dos Transportes registaram aumentos nos níveis gerais de preços que concorreram para contribuições de cerca de 0,09pp e 0,08pp, respectivamente”, frisa.

    Analisando a inflação mensal por produto, há a destacar, segundo a fonte, a queda dos preços do feijão manteiga (7,8 por cento), do tomate (4,4 por cento), do óleo alimentar (3,5 por cento), da cerveja (1,3 por cento), da farinha de milho (4,8 por cento) e do peixe seco (1,3 por cento). Estes produtos contribuíram para o total da inflação mensal com cerca de 0,27pp negativos.

    “Há também a destacar o aumento dos preços do peixe fresco refrigerado ou congelado (4,5 por cento), da eletricidade (21,3 por cento), da gasolina (0,9 por cento), do gasóleo (2,9 por cento) e do Coco (3,2 por cento). Estes produtos contribuíram para o total da inflação mensal com cerca de 0,31pp positivos”, refere o Instituto.

    Contribuição mensal

    De acordo com o INE de Janeiro a Agosto, o País registou um aumento no nível geral de preços na ordem de 3,29 por cento. As divisões dos transportes e de restaurantes, hotéis, cafés e similares foram responsáveis por esta tendência ao contribuir com aproximadamente 0,76pp e 0,75pp positivos respectivamente.

    Desagregando a inflação acumulada por produto há a referenciar o aumento dos preços da gasolina, do pão de trigo, do carvão vegetal, de refeições em restaurantes, do peixe fresco refrigerado ou congelado, do ensino superior e dos transportes semicolectivos urbanos e suburbanos de passageiros (Chapa). Estes contribuíram para o total da inflação acumulada com 2,98pp positivos.

    Relativamente a igual período de 2016, o País registou um aumento de preços na ordem de 14,13por cento. A divisão de vestuário e calçado foi, em termos homólogos, a de maior agravamento de preços com 21,66 por cento.

    Análise por Cidade

    Da análise dos resultados, o INE concluiu que a cidade de Maputo registou uma inflação na ordem de 0,04 por cento, enquanto que Beira e Nampula tiveram níveis de inflação na ordem de 0,05 por cento e 0.14 por cento negativos, respectivamente.

    De Janeiro a Agosto, a cidade de Maputo registou a inflação mais alta com 4,34 por cento, seguida de Nampula com 2,75 por cento e por último, Beira com 1,08 por cento.

    “Em termos homólogos, as cidades de Nampula, Maputo e Beira registaram agravamentos nos respectivos níveis gerais de preços na ordem de 14,61 por cento, 14,35 por cento e 12,78 por cento, respectivamente”, revela o INE.

  • EUA e Moçambique renovam parceria contra epidemia do HIV

    Os governos dos Estados Unidos da América e de Moçambique renovaram hoje a sua parceria na luta contra o SIDA, anunciando um plano anual conjunto que prevê a expansão do acesso a serviços de prevenção e tratamento do HIV no país.

    O plano tem um orçamento associado de cerca de 400 milhões de dólares, que serão investidos pelo Governo Americano através do Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Alívio do SIDA (PEPFAR), informaram a Ministra da Saúde, Nazira Abdula, e o Embaixador dos E.U.A para Moçambique, Dean Pittman, durante uma conferência de imprensa, em Maputo.

    Tendo como objectivo o apoio aos esforços do país para alcançar o controlo da epidemia, até 2020, no quadro dos objectivos 90-90-90 da ONUSIDA, a assistência do PEPFAR irá fortalecer a acção dos vários actores envolvidos na resposta ao HIV, como o Conselho Nacional de Combate ao SIDA, o Ministério da Saúde, parceiros multilaterais, de implementação, da sociedade civil e do sector privado.

    Entre as várias metas clínicas que define para 2018, o plano operacional estabelece o objectivo de colocar em tratamento anti-retroviral 375 mil novos pacientes, o que irá elevar para 1.262 milhões o número total de pessoas vivendo com HIV que recebem terapia no país.

    Por outro lado, a estratégia prevê o fortalecimento das actividades de prevenção, apostando no reforço da provisão de serviços junto das populações mais expostas ao risco de infecção pelo HIV. Esforços adicionais serão empreendidos neste sentido para atingir jovens com idades entre os 15-29 anos de idade. Serão também expandidos programas dirigidos a populações prioritárias, como mulheres trabalhadoras do sexo e os seus clientes, homens que fazem sexo com homens, prisioneiros, e trabalhadores migrantes.

    A melhoria dos indicadores de retenção nos serviços de saúde dos pacientes em tratamento anti-retroviral, incluindo das mulheres grávidas e lactantes, é também uma prioridade do plano, procurando-se com este objectivo melhorar a qualidade de vida e de saúde das pessoas que vivem com o HIV, e reduzir de forma drástica o número de novas infecções.

    No contacto com os jornalistas, e no sentido da aproximação de Moçambique relativamente ao controlo da epidemia do HIV, o Embaixador Pittman elogiou as autoridades moçambicanas pela decisão de implementar e expandir a estratégia de saúde “Testar e Iniciar”, que permite que as pessoas que vivem com o HIV possam iniciar o tratamento anti-retroviral logo que descobrem o seu estado serológico.

    Desde o seu lançamento em Moçambique, no ano de 2004, os investimentos do PEPFAR em Moçambique atingiram o montante de três mil milhões de dólares, tendo como principais resultados a melhoria dos cuidados de saúde prestados no país, e o aumento exponencial do número de pessoas que acedem a serviços de prevenção e tratamento do HIV.

    Em Moçambique, o PEPFAR é implementado pela Embaixada dos E.U.A. através dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), do Departamento do Estado e do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, e do Corpo de Paz dos EUA.

  • Desempenho do Porto da Beira abranda em ano de crise

    Nos primeiros seis meses deste ano, atracaram no Porto da Beira 246 navios, movimentando cerca de 4 milhões de toneladas de mercadoria diversa. Em igual período de 2016, o Porto recebeu 278 navios que movimentaram cerca de 4.3 milhões de toneladas, incluindo o Carvão. Este ano, a Cornelder espera superar o desempenho de 2016 e retomar a média dos últimos 15 anos.

    Por Belizário Cumbe, in Revista Capital

    A Cornelder de Moçambique (CdM) é concessionária do Porto da Beira há 19 anos. Desde 1998, a companhia soma anos de bons resultados e já investiu pouco mais de 100 milhões de dólares na aquisição de equipamentos modernos, sistemas de gestão e monitoria de carga, formação do capital humano, expansão das áreas de manuseamento e acondicionamento de carga.
    Porém, os 19 anos da concessão não foram isentos de períodos de instabilidade a nível nacional e regional. Jan Laurens de Vries, administrador delegado da Cornelder, conta que o primeiro revés foi registado nos primeiros anos da concessão, entre 1999 e 2000, como resultado do agravamento da crise económica no Zimbabwe.
    Em 2016, a CdM ressentiu-se dos efeitos de fenómenos como a descida do preço das commodities, a nível mundial, e da desaceleração da economia regional. Paradoxalmente, a seca severa que assolou a região da SADC constituiu uma oportunidade para a CdM de incrementar os volumes de manuseamento de ajuda alimentar (constituída por cereais) destinada aos países do Interland com vista a fazer face ao défice alimentar.
    Para compreender os contornos da crise que fez com que o Porto da Beira registasse a primeira queda do volume de carga manuseada em 15 anos, a Revista Capital visitou a infraestrutura e conversou com alguns intervenientes do sector logístico.

    Resiliência e diversificação
    Quando em 1998 a Cornelder decidiu apostar no Porto da Beira, o segundo maior do país, Moçambique acabava de sair de uma guerra civil que durou 16 anos. Porém, o potencial da infraestrutura, como a sua localização estratégica e as oportunidades que o Zimbabwe oferecia ditaram a aposta.
    Na altura, os volumes manuseados pela infraestrutura eram modestos. Em 2002, por exemplo, o Porto manuseou 30 mil contentores, um volume que em 2015 cresceu para 211 mil contentores, ou seja, sete vezes mais. Outro dado a ter em conta é que em 1998 o terminal de contentores tinha capacidade para receber 100 mil contentores. Hoje, o Terminal foi ampliado para receber 450 mil contentores de 20 pés.
    O grande impulso veio, principalmente, da dragagem realizada em 2010 que aumentou a profundidade do canal de navegação para 14 metros, permitindo a entrada de navios de grande calado.
    Mas em 2016 o volume de contentores reduziu 7%, mais concretamente de 211 mil para 198 mil. A quantidade do carvão mineral movimentado no Porto caiu de 4.5 milhões de toneladas, em 2015, para 2.5 milhões de toneladas no ano passado, uma redução de aproximadamente 50%.

    Este cenário deveu-se, em primeiro lugar, à queda do preço do carvão no mercado internacional e, em segundo lugar, ao encerramento da linha de Sena durante um determinado período do ano passado por causa das hostilidades militares.
    A Revista Capital não teve acesso aos dados concretos, mas Jan Laurens de Vries assegura que o desempenho aquém das expectativas se estendeu para a carga geral, onde a importação dos adubos – um dos principais produtos de importação – reduziu significativamente por causa da seca que assolou a região.
    Apesar deste cenário pouco animador, o administrador delegado da CdM diz que o Porto da Beira conseguiu minimizar as perdas visto que não depende de um único produto ou país para equilibrar as contas.

    Primeiro trimestre de 2016
    O Porto da Beira recebeu, de Janeiro a Junho deste ano, 246 navios, movimentando cerca de quatro milhões de toneladas de mercadoria diversa.
    No mesmo período do ano passado, a infraestrutura recebeu 278 navios que movimentaram cerca de 4.3 milhões de toneladas, incluindo o carvão mineral.
    Os dados do desempenho do Porto da Beira, na carga geral, no primeiro semestre de 2017 indicam que de Janeiro a Junho, foram manuseadas pouco mais de 2.3 milhões de toneladas, contra as 2.8 milhões de toneladas movimentados no mesmo período de 2016. Ou seja, uma redução na ordem de aproximadamente 500 mil toneladas.
    Entretanto, há que ter em conta que o volume da carga geral movimentada pelo Interland aumentou de forma significativa. De Janeiro a Junho de 2016, o total da mercadoria em trânsito foi de 459 mil toneladas, contra as 640 mil toneladas do mesmo período de 2017.
    No mesmo intervalo, o Zimbabwe aumentou o volume de carga de cerca de 252 mil toneladas para pouco mais 286 mil toneladas. Já o Malawi viu a sua carga subir de 157 mil toneladas para 195 mil toneladas.Em contrapartida, a quantidade de carvão manuseada no primeiro semestre de 2017, cerca de um milhão de toneladas, esteve muito longe dos pouco mais de dois milhões de toneladas que foram movimentadas no mesmo período de 2016. Ou seja, a redução foi de 50%.

    Interland movimenta mais de 50% da carga
    Mais de 50% da carga manuseada no Porto da Beira vai para o Interland (Zâmbia, Zimbabwe, RDC e Malawi). Em 2016, por exemplo, dos quase dois milhões de toneladas de carga diversa movimentados (entre importações e exportações), pouco mais de 1.1 milhões tinham como destino ou proveniência o Interland. Só o Zimbabwe movimentou mais de 40% deste volume, seguido pelo Malawi e pela Zâmbia.
    Porém, em 2016 alguns utilizadores do Porto, vindos do Interland, decidiram abandonar a infraestrutura (passando o usar os portos de Durban e Dar-es-Salam) por questões de segurança, de acordo com Jan Laurens.
    Entretanto, Laurens não sabe dizer o número desses utilizadores, muito menos o impacto deste êxodo nas contas do Porto da Beira.
    O facto é que, depois da trégua no conflito militar, a Cornelder foi obrigada a fazer uma cruzada pelos países vizinhos para convencer as empresas que as condições de segurança foram reestabelecidas.
    Posto isto, vale dizer que os números do desempenho da CdM no primeiro semestre deste ano apontam para uma retoma do crescimento médio dos últimos 15 anos. Porém, e para o efeito, precisa de uma economia regional enérgica e de uma paz efectiva em Moçambique.

    DESTAQUE

    Produtos mais movimentados no Porto
    Entre os produtos mais movimentados no Porto da Beira há que destacar, nas importações, os adubos, o trigo, viaturas, electrodomésticos e material de construção. Já nas exportações, os principais são o algodão, chá, gergelim, feijão, crómio, manganês e a madeira.

  • Produção de veículos eléctricos catapulta grafite em Moçambique

    A produção de veículos eléctricos no mundo poderá atiçar a procura de grafite em Moçambique, um minério-chave nos ânodos das baterias de iões de lítio que alimentam aquele tipo de viaturas. A grafite é, desse modo, uma commodity que pode vir a catapultar a mineração e a economia moçambicana, nos próximos anos, e já se perfilam duas concessões mineiras na corrida.

    A revolução dos automóveis eléctricos pode vir a ser mais incisiva do que os governos e as companhias de petróleo acreditam. Uma pesquisa da Bloomberg New Energy Finance sugere que haverá maiores reduções nos preços das baterias, e que durante a década de 2020, os veículos eléctricos vão-se tornar uma alternativa mais económica do que os automóveis a diesel ou gasolina na maioria dos países.

    Numa autêntica senda de mudança de veículos, o Reino Unido já anunciou que vai banir os automóveis movidos a gasolina e diesel, no seu território, até 2040. Como a vida útil dos motores a gasolina e diesel geralmente não excede os 10 anos, o objectivo do governo britânico é retirar os veículos que usam essas motorizações das vias de circulação até 2050.

    Na França, o ronco do motor movido a combustível também tem os dias contados. Tudo porque também o Governo francês anunciou que não irá vender mais veículos movidos a diesel ou gasolina até ao mesmo período (2040). Paralelamente, houve outros países que se revelaram ainda mais drásticos nas suas decisões. A Índia e a Alemanha pretendem ter uma frota 100% eléctrica 10 anos antes, ou seja, em 2030 e a Noruega em 2025.

    A previsão mostra que as vendas de veículos eléctricos em todo o mundo vão crescer de forma constante nos próximos anos, do recorde de 700 mil unidades em 2016 para 3 milhões até 2021. Aliás, estudos prevêm que as vendas de veículos elétricos venham a alcançar as 41 milhões de unidades até 2040, representando 35% das vendas de novos carros ligeiros. A partir da observação dos movimentos de grandes empresas automobilísticas, um relatório da Consultora Morgan Stanley de 2016 estima que em 2025 os carros eléctricos já representem 15% do mercado mundial, ao passo que actualmente eles representam apenas 0,86%.

    Esta mudança projectada entre o presente ano e 2040 terá certamente implicações que irão além do mercado de automóveis. A pesquisa estima que o crescimento dos veículos eléctricos irá representar um quarto dos automóveis nas estradas até essa data, substituindo 13 milhões de barris de petróleo bruto por dia, mas utilizando 1.900 KWh de electricidade. Valor esse que seria o equivalente a cerca de 8% da demanda global da electricidade em 2015.

    Este cenário demonstra claramente a perda de terreno do petróleo perante a energia eléctrica, com o recurso ao uso das baterias. E a ajudar à revolução eléctrica nos automóveis, eis que os custos das baterias de ion-lítio (usadas nesses engenhos) já caíram 65% desde 2010, chegando ao valor de US$ 350 por KWh, esperando-se que chegue a atingir os US$ 120 por KWh até 2030.

    Boom dos automóveis eléctricos coloca grafite moçambicana em alta

    A demanda de grafite deverá aumentar 500 por cento nos próximos 10 anos devido ao crescimento exponencial esperado no mercado de veículos eléctricos, segundo David Flanagan, director da Battery Minerals.

    De acordo com a West Australian, Flanagan diz que o projecto ‘Montepuez Graffite’ da sua empresa em Moçambique está preparado para fazer parte da solução global de fornecimento. Isto porque o grafite é um ingrediente-chave nos ânodos das baterias de iões de lítio que alimentam os veículos elétricos.

    A Battery Minerals espera iniciar a construção do seu projecto, investindo entre 57 a 67 milhões de dólares no primeiro semestre de 2018, com as primeiras exportações previstas para os primeiros quatro meses de 2019.

    Por seu turno, a Syrah Resources pretende fazer com que a sua exploração mineira de Balama “seja o maior produtor mundial de grafite a um preço baixo, ultrapassando a China, e colocando num mercado em expansão um produto de elevada qualidade”.

    A concessão de Balama, que cobre uma área de 106 quilómetros quadrados, fica localizada a 265 quilómetros da cidade de Pemba (Cabo Delgado). Segundo o seu último relatório (Julho-Agosto de 2017), a construção do projecto encontra-se em 90% e é expectável que a primeira actividade venha a ter lugar em Outubro.

    Tendo em conta as oportunidades expostas, Moçambique precisa de se preparar para mais um desafio, além do do carvão e do gás natural.

    In Revista Capital

  • Economia moçambicana revela sinais de recuperação

    O Banco Mundial lançou em Julho um documento intitulado “Actualidade Económica de Moçambique – Uma Economia a duas Velocidades”, onde chega à conclusão de que após um 2016 difícil para o país, que assistiu a uma desaceleração acentuada no crescimento económico e à manifestação de choques, tanto no que se refere à moeda como à inflação, as primeiras tendências de 2017 mostram sinais de melhoria.

    A série bianual Actualidade Económica de Moçambique (MEU, Mozambique Economic Update), do Banco Mundial, foi concebida para apresentar avaliações oportunas e concisas quanto às tendências económicas actuais em Moçambique, à luz dos desafios de desenvolvimento mais alargados do país.

    Nesse contexto, o documento em causa, assinado por espelialistas do Banco Mundial (BM), revela que em 2017, o crescimento do PIB no primeiro trimestre chegou aos 2,9 %, mais do que o dobro da taxa de crescimento do trimestre anterior. O metical, que tinha vindo constantemente a depreciar-se face ao dólar durante os primeiros dez meses de 2016, encontra-se agora mais estável, após ter subido 28% nos últimos 9 meses relativamente ao dólar americano. Uma forte resposta a nível de política monetária foi fundamental para essa mudança, a qual também ajudou a inflação a abrandar lentamente até meados de 2017. Além disso, as reservas internacionais estão a recuperar, uma vez que as exportações aceleraram ao mesmo tempo em que as importações se mantiveram moderadas. A melhoria dos preços das matérias-primas e uma indústria de carvão em recuperação são factores centrais para estas tendências, contribuindo também para as perspectivas de crescimento.

    O fortalecimento dos preços do carvão, alumínio e gás, uma recuperação pós “El Niño” na agricultura e o progresso nas conversações de paz poderiam orientar o crescimento no sentido de atingir os 4,6% em 2017 e 7% até ao final da década.

    Condições económicas continuam a constituir um desafio

    Mesmo com as melhorias evidenciadas, a economia moçambicana mantém-se enfraquecida e exposta a riscos significativos. Apesar de ser mais elevado do que no trimestre anterior, o crescimento do primeiro trimestre de 2017 continua abaixo dos níveis observados nos últimos anos. E com muitas das perspectivas de crescimento pendentes da evolução do sector extractivo, as flutuações nos preços das matérias-primas vão continuar a representar grandes riscos para a economia.

    A inflação continua muito alta, nos 18%, com implicações directas para as famílias moçambicanas e para a política monetária, a qual visa assegurar um ambiente de estabilidade relativamente aos preços. A política monetária manteve-se firme e ajudou a que ocorresse um ajuste significativo no sector externo. Não obstante, a taxa de juro de referência de Moçambique encontra-se agora entre as mais elevadas da África subsariana e as taxas médias de crédito da banca comercial, na ordem dos 30%, são proibitivas para grande parte do sector privado.

    De acordo com o Banco Mundial, é necessário fazer mais no sentido de ajudar a recuperar a economia de Moçambique, mas o ciclo do aperto monetário pode ter alcançado o seu auge. Uma taxa de câmbio mais forte, o atenuar da inflação e os níveis de crédito mais reduzidos sugerem que o ciclo de política monetária pode estar a começar a aliviar, à medida que o ajustamento da economia prossegue. No entanto, para que esta transição possa ser feita sem incidentes, é necessário haver uma resposta coordenada e robusta por parte da política fiscal.

    É necessária uma resposta mais incisiva a nível de política fiscal

    Apesar de terem sido feitos progressos, a situação fiscal de Moçambique, segundo analistas do Banco Mundial, continua a ser insustentável e o ajuste fiscal, a nível geral, tem sido limitado. Não havendo progressos no processo de reestruturação da dívida do país até à data, a posição da mesma continua a ser insustentável.

    As reformas a nível de subsídios, uma área difícil de tratar, têm avançado, e vão contribuir para aliviar as pressões socais. Mas o aumento das dívidas em atraso e o financiamento doméstico estão a impedir o ajuste fiscal.

    Os custos salariais continuam a ser uma fonte significativa de pressão, enquanto os recentes cortes orçamentais, no que se refere ao investimento, estão a afectar os sectores económicos e sociais e, potencialmente, a piorar a composição orçamental. Além disso, os riscos fiscais, principalmente os de algumas das grandes empresas públicas de Moçambique, estão a materializar-se, podendo vir a comprometer os esforços de recuperação fiscal, se não forem geridos de forma proactiva.

    Claramente, e no entender do BM, no que se refere a restaurar a saúde das finanças públicas de Moçambique, temos uma agenda de grandes dimensões pela frente.

    O progresso nas negociações de reestruturação da dívida é fundamental para restabelecer a estabilidade fiscal e travar a acumulação de dívidas em atraso junto aos credores. Reformas de consolidação, para controlar os custos salariais e reforçar a administração de receitas, também ajudariam a aliviar as pressões sobre o orçamento e a limitar a acumulação de dívidas em atraso junto aos fornecedores. Igualmente importante para restaurar a sustentabilidade seria um compromisso por parte das autoridades no sentido de exercerem políticas que ajudem Moçambique a criar sistemas de amortecimento fiscal e a enraizar a prudência na gestão das finanças públicas a longo prazo.

    Tal agenda política envolveria perseguir objectivos conducentes a um superavit primário e a um perfil de dívida sustentável a longo prazo. Envolveria também reformas com vista a fortalecer as estruturas legais para a gestão da dívida e dos riscos fiscais das empresas públicas e outras entidades do sector público.

    Apoiar o sector privado ao longo da crise

    O relatório sobre a “Actualidade Económica de Moçambique” explora também o perfil do sector privado formal e o impacto da crise económica em curso no seu desempenho. Refere o desenvolvimento e maior dinamismo entre as empresas enquanto Moçambique passou por uma aceleração do crescimento orientada para os recursos.

    Desde 2002, o número de empresas no sector formal duplicou, empregando agora essas entidades o dobro dos trabalhadores que empregavam em 2002, sendo que grande parte dessa expansão ocorreu nas indústrias não-extractivas do sector privado. Além disso, a participação das pequenas e médias empresas está a aumentar, sendo este um fenómeno que favorece o crescimento da produtividade em geral.

    São sinais positivos. No entanto, é provável que a crise económica em curso tenha um impacto desproporcionalmente negativo sobre estas micro, pequenas e médias empresas emergentes. Uma análise das evidências emergentes indica que, enquanto as indústrias extractivas, outros megaprojectos e as grandes indústrias mostram alguma resiliência, o resto do sector privado, os "rebentos" da economia, enfrenta a redução no crescimento da procura, custos mais elevados e acesso mais difícil ao crédito. Por conseguinte, restabelecer a estabilidade macroeconómica, através de uma combinação equilibrada de políticas monetárias e fiscais, é prioritário para o crescimento do sector privado.

    Por último, considerando a abertura e exposição contínua aos choques externos por parte do sector privado, se Moçambique pretende aproveitar o seu potencial no que se refere à diversificação e ao crescimento do emprego, é importante realizar reformas no sentido de aumentar a resistência a longo prazo deste sector.

    Taxa de Câmbio e Inflação

    A taxa de câmbio aumenta em função do ajustamento da economia, mas a inflação permanece elevada.

    O metical obteve ganhos consideráveis, desde o último trimestre de 2016, suportados pelo aumento das receitas da exportação e pela austeridade da política monetária. Entre Outubro de 2016 e Junho de 2017, a moeda moçambicana valorizou 28 % face ao dólar dos EUA e quase 29 %, no mesmo período, face às principais moedas utilizadas nas transacções. O aumento das receitas de exportação, devido à recuperação dos preços das matérias- primas, é essencial para esta tendência. A liquidez reduzida – resultante de um aumento das exigências de reservas – também tem vindo a diminuir o fornecimento do metical.

    Nos 12 meses que antecederam Junho de 2017, a inflação global diminui para 18,1%, descendo do pico de 26,3% em que se encontrava em Novembro de 2016, uma vez que o metical mais forte ajudou a reduzir o custo das mercadorias importadas.

    A valorização do metical em relação ao dólar e ao rand sul-africano constitui um dos principais contributos para o abrandamento da inflação, dada a dependência dos produtos importados, incluindo alimentos, por parte de Moçambique. Como resultado, a inflação dos produtos alimentares começou a arrefecer, em Novembro de 2016, orientada pela redução no custo das importações (incluindo as de arroz e trigo) e pela melhoria das condições climáticas após a seca provocada pelo "El Niño", o que tem ajudado a orientar a inflação global no sentido descendente. De referir que os alimentos são responsáveis por 33 % do cabaz de mercadorias no Índice de Preços do Consumidor.

    Por outro lado, os aumentos de preços de energia e itens de combustível conduziram, desde Fevereiro, a um aumento da inflação dos produtos não alimentares. Um pacote de reformas fiscais visando a reversão dos subsídios e preços administrativos conduziu a inflação dos produtos não alimentares a uma tendência ascendente desde o início do ano.

    As tarifas da electricidade subiram, em Outubro de 2016, e a partir dessa data, num esforço para eliminar os subsídios, os preços dos combustíveis nas bombas, que se mantinham fixos desde 2011, foram aumentados duas vezes. Isto, combinado com um aumento acentuado nos preços do carvão vegetal, levou a uma subida de 66 %, até Abril de 2017, no índice de preços da electricidade, gás e outros combustíveis. Durante esse período, os preços dos combustíveis também aumentaram, tendo uma parte significativa desse aumento coincidido com as revisões em alta dos preços dos combustíveis.

  • IODmz promove workshop sobre liderança orientada por valores éticos

    O Instituto de Directores de Moçambique (IODmz), em parceria com o Instituto de Ética da África do Sul, realiza, a 20 de Setembro, na cidade de Maputo, um workshop subordinado ao tema “Liderança Orientada por Valores Éticos”.

    O evento tem por objectivo orientar os participantes a descobrirem os seus valores para, deste modo, desenvolverem habilidades, bem como actuarem sempre em conformidade com os padrões éticos internacionalmente aceites e com valores estabelecidos numa organização.

    O orador deste workshop seráDeon Rossouw, director-geral do Instituto de Ética da África do Sul e autor de várias obras literárias sobre a ética.

    Refira-se que este evento é destinado aos líderes seniores de organizações públicas, privadas e organizações não-governamentais (ONGs), nomeadamente administradores executivos, administradores não-executivos e todos aqueles que ocupam cargos de chefia.

  • Miigração do sistema de radiodifusão analógica para o digital carece de celeridade

    O ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita exortou ao Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM) a implementar, com maior celeridade, o processo de migração do sistema de radiodifusão analógica para o digital, bem como assegurar a qualidade do equipamento em instalação e a acessibilidade do serviço para todos os moçambicanos.
    Esta exortação deriva do facto de, segundo Carlos Mesquita, a migração digital constituir um dos desafios que se colocam ao sector das comunicações, a par da segurança cibernética, convergência tecnológica, qualidade do serviços prestados ao público, entre outros.
    Neste sentido e com vista a fazer face a estes e outro desafios, o INCM deve, na qualidade de órgão regulador das comunicações, fortalecer o seu papel com vista à dinamização do mercado e à protecção dos consumidores.
    Para tal, “deve implementar o quadro legal aprovado, tendo em conta as novas tendências da convergência tecnológica imposta pela evolução do sector”, considerou o ministro dos Transportes e Comunicações, que falava na sexta-feira, 8 de Setembro, na gala alusiva aos 25 anos do INCM.
    O INCM deve, ainda, “estabelecer mecanismos que defendam os cidadãos e as instituições públicas e privadas de ataques cibernéticos que se afiguram uma grande ameaça para o sistema de telecomunicações”.
    Volvidos 25 anos após a criação do INCM, Carlos Mesquita realçou os principais avanços que se registaram no sector, como é o caso da expansão da rede de cobertura de telefonia móvel para todas as capitais provinciais e distritos, prosseguindo a expansão deste serviço para os postos administrativos e localidades do País.
    “O INCM concebeu um quadro legal que está a permitir o desenvolvimento das comunicações em Moçambique, sendo de destacar o ambiente de concorrência sã que permite a convivência dos operadores, bem como a protecção dos consumidores, incluindo a promoção do acesso ao serviço de telecomunicações por parte dos habitantes de zonas comercialmente não viáveis”, sublinhou Carlos Mesqiita.
    O jantar de gala, alusivo aos 25 anos do INCM, contou com a presença do secretário-geral da Organização das Telecomunicações da Commonwealth, Shola Taylor, do antigo ministro dos Transportes e Comunicações e ex-secretário executivo da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, Tomaz Salomão, para além de presidentes de Conselhos de Administração das operadoras nacionais, entre outros convidados.

  • BVM e APIEX fomentam atracção de investimentos e promoção do mercado bolsista

    A Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) e a Agência para a Promoção de Investimentos e Exportações (APIEX), celebram amanhã, dia 6 de Setembro, um Memorando de Entendimento cujo objecto é a promoção, atracção, e retenção de investimentos nacionais e estrangeiros, bem como a promoção e a expansão do mercado bolsista.

    Esta parceria visa a colaboração e coordenação inter-institucional para a melhoria contínua do ambiente de negócios, o desenvolvimento do mercado de capitais, em geral, e da Bolsa de Valores, em particular.

    A colaboração inter-institucional irá privilegiar, para além da troca de informação regular, a disseminação de informação aos investidores nacionais e estrangeiros sobre os produtos do mercado de capitais; o desenvolvimento de acções que contribuam para o progresso dos recursos humanos de ambas as instituições em matérias sobre investimentos e procedimentos para a exportação de bens e/ou serviços por empresas nacionais, bem como matérias relacionadas com o mercado de capitais.

    De referir ainda que, no quadro deste memorando, a BVM irá capacitar os quadros da APIEX em matérias específicas sobre Mercado de Capitais e Bolsa de Valores, com vista à promoção da consciencialização dos investidores sobre o papel da BVM no financiamento à economia.

  • Cimeira da Financial Times vai debater a redução do risco nos investimentos

    A segunda cimeira da Financial Times em Moçambique, que vai juntar líderes políticos e do sector empresarial do País e do mundo, vai ter lugar na cidade de Maputo, no dia 9 de Novembro, cuja cerimónia de abertura será presidida pelo Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi.

    O evento, que terá, pelo segundo ano consecutivo, o Standard Bank como principal parceiro, vai decorrer sob o lema “Reduzindo o risco nos investimentos, através de boas práticas de negócios” e tem como objectivo principal debater como aproveitar os recursos do País para transformar e diversificar a economia.

    Nesta conferência, serão ainda discutidas vticos, com destaque para mistas, CEOs e dirigentes polempresacional, face ao momento tno continente africano, uma iniciativa queárias questões como, por exemplo, onde estão as principais oportunidades nos sectores de energia, mineração, banca, tecnologia e turismo, para os investidores e empresas internacionais estabelecidas em Moçambique.

    Dissertações sobre vários temas serão feitas no encontro por especialistas, economistas, CEOs e dirigentes políticos, com destaque para o ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, a ministra dos Recursos Minerais e Energia, Letícia Klemens, o ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Oldemiro Balói, o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, a administradora executiva do Grupo Standard Bank em África, Sola David-Bora e Chuma Nwokocha, administrador delegado do Standard Bank em Moçambique.

    David Pilling, editor da publicação Financial Times em África e Andrew England, editor de conteúdos do Médio Oriente e África, serão os moderadores dos diversos temas a serem abordados na cimeira.

    Importa realçar que o forte envolvimento do Standard Bank na realização desta cimeira, que acontece pela segunda vez em Moçambique, reside na visão desta instituição financeira centenária no País de se posicionar como parceira do Governo na atracção e implantação de investimentos para Moçambique.

    Presente no País há mais de 120 anos, o Standard Bank continua comprometido com o crescimento da economia nacional, quer através de financiamentos como de aconselhamento, a particulares e aos principais projectos públicos e privados de desenvolvimento socioeconómico, com destaque para os de infra-estruturas, recursos naturais, petróleo, gás e energia.

  • Universidade Politécnica vai graduar 272 estudantes

    A Universidade Politécnica realizará a sua XIX cerimónia de graduação de estudantes no dia 13 de Setembro, em Maputo. Nela serão graduados 272 estudantes do primeiro e segundo ciclos de estudos: licenciatura e mestrado, nas modalidades de ensino presencial e à distância. O evento será presidido pelo Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi.

    No dia seguinte, esta primeira instituição privada de ensino superior no País, atribuirá o título de Doutor Honoris Causa a Carlos Lopes, na especialidade de Estudos de Desenvolvimento.

    Pesou para a atribuição do título a este intelectual da língua portuguesa (cidadão guineense), académico, cientista social e funcionário internacional superior da Organização das Nações Unidas a relevância dos serviços prestados em termos políticos, sociais e económicos para o desenvolvimento internacional, especialmente do continente africano.

    Esta Universidade é uma instituição vocacionada para três grandes domínios, nomeadamente Ciências Empresariais, Ciências Sociais, Ciências Humanas e Tecnologias, cuja acção se desenvolve através de um conjunto diversificado de actividades, com permanente sentido de interdependência entre ensino/formação, investigação e prestação de serviços à comunidade.